A rotina dentro da mansão de Deolane Bezerra, segundo relatos que vieram à tona nos últimos dias, estaria longe do glamour exibido nas redes sociais. Entre quartos, gavetas e estantes, o que chamava atenção não eram apenas os itens de luxo, mas montantes de dinheiro vivo espalhados pela casa.
A revelação foi feita pela diarista Denise Bastos, ex-funcionária da influenciadora, em entrevista ao Jornal da Record, aumentando ainda mais a repercussão em torno da prisão da advogada e empresária.
Denise afirma ter convivido com grandes quantias em espécie dentro da residência da influenciadora e também na casa de familiares. Segundo ela, o dinheiro ficava exposto em diferentes cômodos, situação que causava desconforto entre os funcionários.
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“Tinham montantes nas estantes, em cima das escrivaninhas, nos quartos, nas gavetas. A gente pensava até que era teste para ver se alguém pegaria”, relatou.
A ex-funcionária também divulgou um vídeo em que aparece uma pilha de notas guardada em uma estante na casa de um dos filhos de Deolane.
O caso ganhou contornos ainda mais graves após Denise acusar a influenciadora de ameaças. A diarista afirma ter sido responsabilizada pelo suposto desaparecimento de R$ 80 mil. Em um áudio divulgado por ela, uma voz atribuída a Deolane diz: “Vai lá onde você guardou, pega e traz na minha casa. Devolve e segue a sua vida, porque se não, você me aguarde”.
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Segundo Denise, além das acusações, pessoas teriam sido enviadas até sua casa para intimidá-la. Ela também afirma ter recebido mensagens de um homem que dizia ter ligação com o crime organizado. Em um dos áudios apresentados, o interlocutor afirma que o dinheiro investigado teria origem criminosa e faz ameaças veladas para que a situação fosse “resolvida”.
O homem ainda envia imagens de câmeras de segurança mostrando a diarista deixando a residência com uma sacola, insinuando que o objeto conteria o dinheiro supostamente roubado. Denise nega qualquer envolvimento no desaparecimento da quantia e move ações judiciais contra Deolane por calúnia, falsa imputação de crime e ameaça.
Enquanto as denúncias se acumulam, a situação jurídica da influenciadora também se agrava. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa da empresária. Na decisão, publicada no domingo, o magistrado afirmou não identificar “manifesta ilegalidade” na prisão preventiva decretada pela primeira instância.
Dino também criticou a tentativa de levar o caso diretamente ao STF, ressaltando que a Corte não deve funcionar como “atalho processual” para revisar decisões iniciais da Justiça.
Deolane foi presa na quinta-feira durante a Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público paulista. A investigação aponta que a estrutura empresarial da influenciadora teria sido utilizada para ocultar recursos ilícitos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o inquérito, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados inferiores a R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento financeiro. Empresas ligadas à influenciadora também teriam recebido cerca de R$ 716 mil sem comprovação documental de prestação de serviços.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores vinculados à advogada e empresária.
Em nota, a defesa afirmou considerar as medidas “desproporcionais” e reiterou a “absoluta inocência” da cliente. Os advogados sustentam que os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo.
As investigações também apontam uma suposta conexão direta entre o esquema financeiro e familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder máximo do PCC. De acordo com o Ministério Público, uma transportadora do interior paulista teria sido usada para movimentar recursos do tráfico e inserir o dinheiro no sistema financeiro formal.
Além de Deolane, a Justiça expediu mandados de prisão contra familiares de Marcola e contra Everton de Souza, apontado como operador financeiro do grupo. Parte dos investigados está presa, enquanto outros permanecem foragidos no exterior e tiveram os nomes incluídos na Difusão Vermelha da Interpol.
As apurações começaram ainda em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos continham referências a movimentações financeiras e ordens internas da facção criminosa. A partir daí, os investigadores chegaram à empresa Lopes Lemos Transportes, conhecida como Lado a Lado Transportes.
Segundo o Ministério Público, a empresa movimentou mais de R$ 20 milhões em três anos e apresentou incompatibilidade milionária entre receitas declaradas e movimentações bancárias, cenário considerado típico de lavagem de dinheiro.







