A pressão por resultados, a desconfiança recente da torcida e a necessidade de reconstrução fazem parte do cenário da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo de 2026.
Para Danilo, porém, justamente esse ambiente pode fortalecer o grupo. O lateral e zagueiro do Flamengo afirmou enxergar no comportamento do povo brasileiro uma inspiração diária para a equipe comandada por Carlo Ancelotti.
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“Eu trago esse momento da Seleção Brasileira em uma analogia com o povo brasileiro, que é um povo sofrido, que muitas vezes renasce das cinzas e tem uma resiliência importante, que vai atrás, que sofre, que ri, que chora, mas que no final das contas celebra, né? Celebra a vida, celebra as conquistas… Eu tenho tirado isso como motivação”, afirmou Danilo em entrevista à FIFA.
Um dos jogadores mais experientes da convocação, Danilo assumiu naturalmente um papel de liderança dentro do elenco. A ideia, segundo ele, é ajudar principalmente os mais jovens a atravessarem os momentos difíceis de uma competição tão pesada emocionalmente.
“A nossa equipe é uma equipe bastante jovem e que a grande maioria joga no futebol europeu e vem de uma mentalidade importante, uma mentalidade bem profissional. Eu vejo que a única coisa que nós, um pouco mais experientes, podemos agregar nisso, é de certa forma aumentar a nossa capacidade de espírito de sacrifício e entender que os momentos de dificuldade são apenas momentos e que eles passam”, afirmou Danilo.
Essa postura também acompanha o defensor no dia a dia do Flamengo. Desde que retornou ao futebol brasileiro, virou uma espécie de referência nos bastidores do clube carioca, indo além da contribuição técnica dentro de campo.
O peso da liderança ganhou ainda mais força depois do gol marcado na final da Libertadores de 2025, que garantiu o título continental ao Rubro-Negro. Danilo explicou que tenta levar essa experiência para o ambiente da Seleção, especialmente em momentos de pressão e necessidade de reorganização interna.
“Penso que essa capacidade de solucionar problemas e redirecionar o caminho, apesar dos momentos de dificuldade e dos momentos em que você tem que repensar qual é a estratégia, são coisas que realmente eu sempre busco levar para a Seleção Brasileira”, ponderou o defensor.
Além da questão emocional, Danilo também comentou sobre a evolução tática do futebol brasileiro. Historicamente marcado por laterais extremamente ofensivos, o time passou a buscar mais equilíbrio defensivo nos últimos anos.
Segundo ele, essa mudança já vinha sendo construída desde a Copa de 2022 e acompanha uma tendência observada no futebol mundial.
“Essa mudança aconteceu, na verdade, na Copa de 2022 e vem sendo um processo que vem acontecendo não só com a Seleção Brasileira, mas com o futebol mundial em geral. Obviamente entendendo as distâncias do jogo, entendendo aquilo que traz mais benefício para a parte ofensiva do time, já pensando em um momento de transição e perda de bola”, afirmou.
A leitura mais estratégica da posição foi desenvolvida durante sua passagem pelo Manchester City, período em que trabalhou sob o comando de Pep Guardiola.
“A forma de interpretar a posição evoluiu e hoje poucos laterais correm a linha o tempo todo; o foco é o equilíbrio de distâncias e pressão. Temos jogadores com características variadas para oferecer soluções estratégicas dependendo do adversário”, acrescentou o atleta.
Danilo também destacou o peso simbólico de ter sido o primeiro jogador confirmado por Ancelotti para a Copa do Mundo. Para ele, o reconhecimento representa a continuidade de uma trajetória construída desde as categorias de base da Seleção.
“Eu confio muito na rotina e nos hábitos, e o que acontece agora é resultado de muitos anos de trabalho. O reconhecimento me deixa satisfeito, mas traz a responsabilidade de já estar com a mentalidade voltada para fazer com que as coisas caminhem bem e possamos fazer uma história bonita na Copa do Mundo da FIFA”, concluiu.



