Pelo terceiro ano consecutivo, uma cidade do interior do estado de São Paulo foi apontada como a melhor para se viver no Brasil. Distante cerca de 300 quilômetros da capital paulista, Gavião Peixoto recebeu nota 73,1 no Índice do Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). Mas o que explica a liderança do município no ranking das melhores cidades para viver no país?
Com apenas 4,7 mil habitantes, Gavião Peixoto mantém a tranquilidade característica de muitas cidades do interior. Ao mesmo tempo, o município também se consolidou como uma potência tecnológica.
A cidade é conhecida mundialmente por abrigar um dos mais importantes complexos aeronáuticos do país. O reconhecimento está ligado à presença de fábricas de aviões militares da Embraer no município.
O local possui uma pista com cerca de 5 mil metros de extensão, considerada a maior das Américas. A estrutura permite testes com aeronaves de grande porte e até caças supersônicos.
Mais do que sediar uma pista de testes, a cidade concentra um polo industrial voltado ao setor aeronáutico. No local, empresas realizam etapas estratégicas da fabricação de aeronaves, entre elas a montagem de jatos executivos e aviões militares.
Com isso, o município desenvolveu um ambiente fortemente ligado à tecnologia e à inovação, abrindo espaço para empregos qualificados e mão de obra especializada.
Como é viver no município
Além da estrutura industrial e tecnológica, Gavião Peixoto também reúne bons indicadores sociais. A cidade registra evasão escolar próxima de zero e não possui filas por vagas na rede municipal de ensino.
De acordo com o Censo de 2022 do IBGE, a taxa de escolarização de crianças entre 6 e 14 anos no município é de 98%.
Trabalho e renda
A arrecadação municipal também coloca Gavião Peixoto entre os maiores PIBs per capita do Brasil. Como resultado, os moradores convivem com um elevado padrão de qualidade de vida. Segundo o IBGE, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade é de 0,774.
Ainda de acordo com o instituto, o salário médio mensal dos trabalhadores formais do município é de 5,7 salários mínimos. O índice é o segundo maior do estado de São Paulo, atrás apenas de Mongaguá, onde a média chega a 15,3 salários mínimos.
No cenário nacional, Gavião Peixoto também ocupa posição de destaque. A cidade possui a segunda maior média salarial mensal do país, empatada com Macaé, no Rio de Janeiro.
Saneamento
Outro indicador que chama atenção é o saneamento urbano. O índice de esgotamento sanitário por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede chega a 94,68%.
A cidade possui área urbanizada de 1,28 quilômetro quadrado e índice de arborização das vias públicas de 94,68%.
A origem
Gavião Peixoto surgiu no início do século XX, durante um projeto de interiorização promovido pelo governo paulista.
O governo paulista assinou o decreto de criação da cidade em 12 de janeiro de 1907. O município surgiu sobre terras da Sesmaria de Cambuhy, propriedade do Conselheiro Bernardo Avelino Gavião Peixoto, que deu nome à cidade.
O desenvolvimento local ganhou impulso com a chegada da ferrovia Douradense e da usina hidrelétrica construída pela Companhia de Força e Luz de Jaú. Esses fatores atraíram novos moradores e movimentaram a economia da região.
Ao longo das décadas, Gavião Peixoto enfrentou períodos de crescimento e crise, especialmente após a desativação da ferrovia e a queda da produção de algodão.
Atualmente, a economia local gira principalmente em torno das culturas de laranja e cana-de-açúcar, além das atividades da Embraer, que instalou sua segunda fábrica no município.
O post Como é viver na cidade com a melhor qualidade de vida do Brasil apareceu primeiro em Diário do Pará.







