A Marisa voltou a preocupar o mercado após divulgar um prejuízo de R$ 95,8 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado negativo fez a auditoria independente acender um alerta sobre a capacidade de a varejista continuar operando nos próximos períodos.
A rede de lojas, conhecida no setor de moda feminina, tinha registrado lucro de R$ 2,3 milhões no mesmo período do ano passado. Agora, além do rombo nas contas, a empresa também enfrenta aumento da dívida e pressão sobre o caixa. As informações foram publicadas pelo portal Metrópoles.
No parecer divulgado junto ao balanço, a auditoria BDO afirmou que existe uma “incerteza relevante” sobre a continuidade operacional da Marisa. Na prática, isso significa que os auditores enxergam riscos financeiros importantes e avaliam que a companhia precisa recuperar o equilíbrio das contas para manter a operação sem novos impactos.
O documento também destacou que a empresa acumula passivos maiores do que os ativos de curto prazo. Segundo os números apresentados, a diferença supera R$ 446 milhões.
Outro ponto levantado envolve disputas tributárias ligadas à controlada indireta M Serviços, antiga M Cartões. Os processos discutem suposta omissão de receitas entre 2011 e 2012. Mesmo assim, a Marisa decidiu não registrar provisões para essas perdas porque considera o risco apenas “possível”.
O que diz a Marisa
Em nota, a varejista afirmou que o tema não é novo e já vinha sendo informado ao mercado em balanços anteriores. A empresa também disse que a CVM analisou o caso e aceitou o recurso apresentado pela companhia, afastando a necessidade de refazer demonstrações financeiras antigas.
Entre janeiro e março, a receita líquida da Marisa ficou em R$ 286,5 milhões, uma queda de 3,8% na comparação anual. O Ebitda, indicador usado para medir o desempenho operacional das empresas, caiu 66,9% e terminou o trimestre em R$ 28,6 milhões.
Apesar do cenário pressionado, a companhia informou que as vendas digitais cresceram 22% no período, impulsionadas por novos canais de venda, parcerias comerciais e expansão do marketplace.
A crise da varejista já teve reflexos em várias cidades do país. Em Belém, por exemplo, a unidade da Marisa no Shopping Pátio Belém encerrou as atividades após mais de uma década de funcionamento. O fechamento aconteceu durante o processo de reestruturação da rede e marcou a saída da loja de um dos centros comerciais mais movimentados da capital paraense.
A dívida líquida da empresa chegou a R$ 336,8 milhões em março. Mesmo com os resultados negativos, a Marisa afirmou que segue adotando medidas para reorganizar as finanças e recuperar o equilíbrio da operação.
O post Após rombo de R$ 95 milhões, Marisa pode fechar as portas apareceu primeiro em Diário do Pará.







