O perfil das vítimas de violência sexual contra crianças e adolescentes na Amazônia Legal disparou um novo alerta entre especialistas e órgãos de proteção. Dados divulgados pelo Unicef e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a violência atinge principalmente meninas, crianças negras e adolescentes de 10 a 14 anos.
Segundo o estudo “Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia”, a região registrou 31.819 casos de estupro e estupro de vulnerável entre 2021 e 2023 envolvendo vítimas de 0 a 19 anos. Os números reforçam um cenário considerado crítico pelas entidades.
O levantamento revela que crianças e adolescentes negros representam 81% das vítimas registradas na Amazônia Legal. A taxa de vitimização desse grupo aparece acima da observada entre crianças brancas, situação diferente da dinâmica nacional.
Outro dado que chama atenção envolve a faixa etária mais atingida. Crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos concentram as maiores taxas de violência sexual na região, com incidência de 299,5 casos por 100 mil habitantes. Em áreas rurais, o índice sobe para 308 casos por 100 mil habitantes.
As meninas aparecem como as principais vítimas. Segundo o Unicef, elas enfrentam níveis mais altos de exposição à violência sexual, especialmente em territórios marcados por vulnerabilidade social, pobreza e dificuldade de acesso à rede de proteção.
Entre os meninos, embora os registros sejam menores, os casos também preocupam especialistas. O estudo mostra que a violência sexual contra vítimas do sexo masculino ocorre principalmente nos primeiros anos da infância e pode provocar impactos duradouros na saúde mental e no desenvolvimento social.
Os dados também revelam que a maior parte das ocorrências acontece dentro de ambientes considerados seguros pelas vítimas. Na Amazônia Legal, 65% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes ocorrem dentro da própria residência.
Entre crianças de até 4 anos, o percentual é ainda mais elevado. Segundo o estudo, 72,5% das vítimas dessa faixa etária sofreram violência dentro de casa, cenário que reforça o desafio de identificar casos silenciosos e denunciar os agressores.
O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, afirmou que a violência sexual infantil continua profundamente presente no cotidiano brasileiro e afeta principalmente grupos historicamente vulnerabilizados.
Além da violência presencial, especialistas também alertam para o crescimento dos crimes no ambiente digital. Dados do estudo Disrupting Harm, divulgado em 2026, mostram que um em cada cinco adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos que usam internet sofreu algum tipo de violência sexual facilitada pela tecnologia em apenas um ano.
As situações incluem aliciamento online, exploração sexual, extorsão e compartilhamento não autorizado de imagens íntimas. Em 49% dos casos, o agressor era alguém conhecido da vítima.
O Unicef defende o fortalecimento das políticas públicas de proteção, a ampliação de canais de denúncia e o investimento em educação sobre consentimento, segurança digital e identificação precoce de sinais de abuso.
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