O silêncio do pastor Silas Malafaia após o vazamento dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro virou assunto não apenas entre aliados do bolsonarismo, mas também em portais religiosos e redes sociais ligadas ao meio evangélico conservador.
Acostumado a reagir rapidamente em defesa da família Bolsonaro, Malafaia surpreendeu ao adotar uma postura cautelosa diante da crise desencadeada pelas revelações sobre negociações milionárias para o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O tema ganhou destaque no portal gospel Fuxico Gospel, que publicou a reportagem “O gato comeu a língua do Malafaia?”, apontando estranhamento dentro da própria base conservadora diante da ausência de manifestações contundentes do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC).
A publicação afirma que, passadas quase 48 horas do vazamento, Malafaia ainda não havia gravado vídeos ou feito ataques públicos em defesa de Flávio — comportamento considerado incomum para um dos principais aliados políticos e religiosos da família Bolsonaro.
Apesar do silêncio público inicial, Malafaia chegou a afirmar, em entrevista à coluna de Igor Gadelha, no portal Metrópoles, que não pretende “se omitir” sobre o caso. Segundo ele, o posicionamento só ocorreria após ouvir a versão do senador. “Vou aguardar a fala dele e me posicionar. Não sou omisso nem covarde”, declarou o pastor.
Nos bastidores, porém, o clima seria de irritação. Outra reportagem do próprio Fuxico Gospel afirmou que interlocutores próximos ao pastor relataram “extrema irritação” de Malafaia com a exposição da conversa entre Flávio e Vorcaro. Segundo o site, o líder evangélico teria considerado um “erro fatal” a associação direta com um banqueiro investigado, avaliando que o episódio “pode custar a eleição” de 2026.
O desconforto também teria alcançado outras lideranças evangélicas. Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que parte de pastores aliados do bolsonarismo demonstrou incômodo com o conteúdo dos áudios e passou a discutir alternativas para a direita em 2026, incluindo nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
O episódio ocorre justamente em um momento delicado da relação entre Malafaia e Flávio Bolsonaro. Nos últimos meses, o pastor vinha alternando demonstrações públicas de apoio e críticas veladas à candidatura presidencial do senador.
Em dezembro do ano passado, Malafaia chegou a afirmar que “o amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas”, em meio às discussões sobre a escolha de Flávio como herdeiro político do bolsonarismo.
Ainda assim, no início deste mês, Flávio participou de culto liderado por Malafaia no Rio de Janeiro, em um movimento interpretado como tentativa de reaproximação e consolidação do apoio evangélico à pré-candidatura presidencial do senador.
Nas redes sociais, usuários bolsonaristas passaram a cobrar uma reação do pastor, conhecido pelo estilo explosivo e pelas transmissões em vídeo com críticas ao STF, à esquerda e a adversários políticos. Em páginas e perfis conservadores no Instagram e Facebook, multiplicaram-se comentários questionando por que Malafaia, normalmente rápido nas respostas, optou por cautela justamente em um dos episódios mais sensíveis envolvendo o núcleo político da família Bolsonaro.
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