O roteiro de “Dark Horse”, cinebiografia sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro até o Palácio do Planalto, traz referências diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à senadora Damares Alves e a grupos de esquerda. A produção teve recursos associados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, investigado sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.
Segundo o jornal O Globo, Lula é citado em diferentes momentos da trama, tanto por imagens de arquivo quanto por diálogos inseridos no roteiro. Em uma das cenas, durante a cirurgia de Bolsonaro após o atentado a faca sofrido em 2018, o personagem do ex-presidente demonstra desconfiança da equipe médica e suspeita que uma enfermeira seja simpatizante do petista.
No trecho, o personagem questiona internamente:
“E se essas pessoas forem todas esquerdistas? Adoradores do Lula? Aquela enfermeira tem um olhar frio…”
O autor do atentado, Adélio Bispo, aparece retratado sob o nome fictício de “Aurélio Barba”. No roteiro, o personagem é apresentado como alguém ligado a organizações de esquerda e movimentos radicais. Em uma das falas, ele afirma ter passado por grupos “socialistas radicais”, “marxistas” e pelo fictício F.L.P., descrito como uma organização revolucionária.
Mais adiante, a jornalista fictícia Lara Clarke investiga o passado do agressor e conclui que ele teria um “profundo histórico político” conectado a grupos de esquerda. O texto também sugere ligações entre o grupo fictício F.L.P. e partidos como PT e PSOL.
Damares ‘curandeira’?
O roteiro de “Dark Horse”, cinebiografia sobre a ascensão política do ex-presidente Jair Bolsonaro, mergulha em cenas que transitam entre o drama político e o surrealismo. Em uma das sequências mais inusitadas do texto, a senadora Damares Alves — conhecida nacionalmente por sua atuação ligada ao meio evangélico — aparece retratada como uma espécie de figura mística, com traços xamânicos e supostos poderes de cura.
No roteiro, Damares surge sob o nome fictício de “Dolores”. A personagem é descrita com aparência “xamânica”, usando dreadlocks e carregando um pequeno saco plástico com pílulas artesanais, apresentadas como uma espécie de proteção espiritual para Bolsonaro após o atentado a faca de 2018.
A cena chama atenção pelo tom quase fantasioso atribuído à personagem:
“DOLORES: Uma febre está chegando.”
Em seguida, ela entrega comprimidos improvisados ao então candidato:
“Estas vão te proteger.”
Michelle Bolsonaro tenta impedir o marido de ingerir as substâncias, mas o personagem inspirado no ex-presidente toma as pílulas mesmo assim. Logo depois, Dolores desaparece misteriosamente.
“BOLSONARO: Para onde ela foi?!”
“EDUARDO: Sumiu. Como um fantasma!”
O roteiro ainda sugere que as cápsulas poderiam ter ajudado a salvar Bolsonaro, quando um médico da trama trata o conteúdo como uma espécie de antibiótico improvisado. A construção da personagem chama atenção justamente por destoar da imagem pública de Damares Alves, ligada ao conservadorismo religioso e à militância evangélica.
Outro momento que beira o exagero cinematográfico envolve o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, transformado no personagem “Zico”. O sanfoneiro aparece como uma espécie de “protetor” dos apoiadores bolsonaristas em meio a um confronto caótico em frente ao hospital onde Bolsonaro está internado.
Na sequência, o roteiro descreve Zico enfrentando adversários identificados como “bandidos” e “esquerdistas” usando o próprio violão como arma improvisada:
“DOIS BANDIDOS avançam contra Zico enquanto ele toca seu violão. Zico para de tocar, golpeia os dois homens com seu violão, e eles recuam.”
A cena ainda inclui bombas de fumaça, pancadaria e manifestantes em confronto, em um tom que lembra filmes de ação caricatos dos anos 1980.
As passagens fazem parte de uma versão atualizada do roteiro validada por profissionais ligados à produção do longa. O filme será estrelado pelo ator americano Jim Caviezel no papel de Bolsonaro e tem estreia prevista para setembro.
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