Na última semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de produtos da marca Ypê fabricados na unidade da Química Amparo, em Amparo (SP), após identificar falhas consideradas graves no processo de produção. A medida atinge detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes de todos os lotes com numeração final 1.
Além do recolhimento, a Anvisa também determinou a suspensão imediata da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos atingidos pela decisão. A medida foi anunciada nesta quinta-feira, 7, após uma avaliação técnica de risco sanitário conduzida em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.
Segundo a agência, uma inspeção realizada na fábrica identificou descumprimentos em etapas críticas da produção. Isso incluiu falhas nos sistemas de garantia da qualidade, controle de qualidade e boas práticas de fabricação. De acordo com a Anvisa, os problemas encontrados representam risco à segurança sanitária dos consumidores. Principalmente pela possibilidade de contaminação microbiológica nos produtos.
Em nota, a agência afirmou que a decisão segue o princípio da proteção à saúde pública. Ela foi tomada de forma proporcional à gravidade das irregularidades encontradas durante a fiscalização.
Falhas em fábrica motivaram decisão
A inspeção ocorreu em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo. Os fiscais apontaram que as falhas comprometem requisitos essenciais exigidos para a fabricação de saneantes, categoria que inclui produtos de limpeza doméstica.
A Anvisa alertou que consumidores devem verificar o número do lote antes de utilizar os produtos atingidos pela medida. Os itens com final 1 não devem ser consumidos nem utilizados até nova orientação dos órgãos sanitários.
A empresa responsável pela marca é a Química Amparo Ltda., uma das maiores fabricantes de produtos de limpeza do país.
Ypê já esteve no centro de polêmica política
A Química Amparo também ganhou repercussão nacional durante as eleições de 2022. A empresa foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) por assédio eleitoral. Isso ocorreu após a realização de uma live direcionada a funcionários durante o segundo turno da disputa presidencial.
Na decisão, a Justiça do Trabalho determinou que a empresa se abstivesse de promover propaganda política em favor de candidatos dentro do ambiente corporativo. Essa ordem foi imposta sob pena de multa.
Na mesma eleição, integrantes da família Beira, controladora da marca Ypê, realizaram doações para a campanha de reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostraram que membros da família fizeram contribuições que somaram cerca de R$ 1 milhão, incluindo uma doação de R$ 500 mil feita por Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da companhia.
O post Donos do detergente Ypê doaram R$ 1 mi para Bolsonaro apareceu primeiro em Diário do Pará.







