O Paysandu Sport Club encerrou o exercício de 2025 com uma leve redução no volume total de dívidas registrado em balanço. Apesar disso, os números revelam crescimento justamente nas áreas mais sensíveis das finanças do clube: obrigações trabalhistas, empréstimos e passivos judiciais.
De acordo com o balanço patrimonial divulgado pelo clube nesta quinta-feira (7), o passivo total caiu de aproximadamente R$ 67,6 milhões em 2024 para R$ 66,6 milhões em 2025, uma redução de cerca de R$ 1 milhão. Embora o número indique diminuição contábil da dívida geral, a composição das obrigações mudou significativamente ao longo do ano.
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O dado que mais chama atenção é o avanço das dívidas relacionadas a salários, férias e encargos sociais. Esse grupo saltou de R$ 19,3 milhões em 2024 para R$ 28 milhões em 2025, um aumento superior a R$ 8,6 milhões em apenas um ano. Na prática, as obrigações trabalhistas passaram a representar mais da metade das contas que precisam ser pagas mais rapidamente.
Outro indicador de pressão financeira é o crescimento dos empréstimos e mútuos. O valor saiu de R$ 2,4 milhões para R$ 11,2 milhões. O aumento dos empréstimos mostra que o clube precisou recorrer mais a dinheiro de terceiros para manter as atividades funcionando.
Também cresceram as provisões para dívidas ligadas a processos na Justiça, que passaram de R$ 12,4 milhões para R$ 19,5 milhões. O avanço indica aumento dos riscos relacionados a processos e disputas judiciais envolvendo o clube. O aumento coincide com o avanço de ações trabalhistas movidas por ex-atletas e profissionais ligados ao clube.
Clube reduz obrigações imediatas
Enquanto algumas dívidas cresceram, outras tiveram forte redução em 2025. As obrigações com fornecedores caíram de R$ 8,2 milhões para R$ 423 mil, representando uma diminuição superior a R$ 7,7 milhões.
Os adiantamentos de credores também recuaram de R$ 6,4 milhões para R$ 2,2 milhões. Essas reduções ajudaram a aliviar parte da pressão de curto prazo nas contas do clube e contribuíram para a leve queda do passivo total.
O passivo circulante, que reúne obrigações de curto prazo, caiu de R$ 47,6 milhões para R$ 46,8 milhões. Já o passivo não circulante permaneceu praticamente estável, saindo de R$ 19,9 milhões para R$ 19,8 milhões.
Receitas crescem, segue deficitário
Mesmo convivendo com aumento de dívidas trabalhistas e financeiras, o Paysandu registrou crescimento de receitas em 2025. O clube arrecadou R$ 69,5 milhões, contra R$ 64,4 milhões em 2024.
Apesar do crescimento das receitas, o clube permaneceu deficitário em 2025. O prejuízo caiu para R$ 2,17 milhões, mas o aumento das despesas operacionais impediu o equilíbrio das contas.
O futebol profissional foi o principal responsável pelo avanço da arrecadação, gerando R$ 46,7 milhões no período. As receitas com patrocínio também cresceram fortemente, passando de R$ 6,6 milhões para R$ 10,1 milhões.
Apesar disso, o clube continuou fechando o exercício no vermelho. O déficit caiu de R$ 3,88 milhões para R$ 2,17 milhões, mas os números mostram que o Paysandu ainda gastou mais do que arrecadou ao longo do ano.
As despesas operacionais cresceram de R$ 29,7 milhões para R$ 39,8 milhões, impulsionadas principalmente pelo aumento das despesas administrativas, que praticamente dobraram no período.
Desafios explicam RJ
Os números do balanço de 2025 ajudam a explicar o cenário que levou o Paysandu Sport Club ao processo de recuperação judicial. Embora o clube tenha aumentado receitas, fortalecido seu patrimônio contábil e reduzido levemente o passivo total, os demonstrativos mostram que a operação ainda funciona sob forte pressão financeira. O crescimento das dívidas relacionadas a salários, férias e encargos sociais, que saltaram para R$ 28 milhões, evidencia dificuldades para manter em dia compromissos básicos da estrutura do futebol e da administração.
O avanço dos empréstimos e mútuos em apenas um ano também reforça o cenário de dependência de capital externo para sustentação das atividades. Isso significa que o clube conseguiu ampliar receitas, principalmente com futebol profissional e patrocínios, mas isso ainda não foi suficiente para equilibrar despesas e reduzir de forma consistente os passivos mais sensíveis. O próprio déficit de R$ 2,17 milhões registrado em 2025 mostra que o Paysandu continuou gastando acima da capacidade de gerar receita suficiente para sustentar as despesas.







