O fotógrafo e educador Miguel Chikaoka conduz, este mês, o sétimo módulo do laboratório “Olhos de ver… com que olhos?”: “Fototaxia com PCDs auditivos”. A iniciativa integra o projeto “Gênese da imagem e sensibilização do olhar”, e as pessoas surdas são o principal público-alvo. A partir dela, Chikaoka propõe uma experiência formativa que une fotografia, acessibilidade e construção coletiva de conhecimento. Os interessados podem se inscrever até o dia 11 de maio, por meio de formulário disponível na página da Kamara Kó.
‘Pedagogia dos Fluxos’ é ponto de partida
A nova etapa do projeto ocorre entre os dias 20 de maio e 4 de junho. O momento irá reunir práticas experimentais da fotografia com a elaboração de narrativas visuais e a criação de um glossário em Libras. A proposta se baseia na chamada “Pedagogia dos Fluxos”, metodologia desenvolvida por Chikaoka com a qual busca ampliar a percepção da fotografia para além da técnica. Desta forma, valoriza a experiência sensorial e relacional.
Segundo Miguel Chikaoka, o laboratório pode ser feito não somente por pessoas surdas, mas também por quem tenha alguma relação com esse público ou interesse no tema.
Na prática, o tema é o mesmo sobre a iniciação da fotografia a partir de sua gênese. Terá confecção de câmeras pinhole e faremos essa aproximação com as câmeras atuais”, explica.
O educador destaca que o principal diferencial está na forma de comunicação adotada durante as atividades.
“O que muda é a forma de comunicação até porque algumas atividades eu já faço sem usar a oralidade, que funciona naturalmente com os surdos. Outros itens têm uma pessoa que acompanha algumas atividades e traduz só para o entendimento. O resto é uma inversão porque, neste caso, são eles que falam e aí eu preciso que alguém traduza para mim”, relata.
Ele acrescenta que já realizou experiências anteriores com esse público e que os resultados foram positivos. “Fiquei muito feliz de fazer esse tipo de trabalho mesmo sem ter o domínio de Libras porque eu não pratico”.
Desafios de promover acessibilidade
Chikaoka também reflete sobre os desafios da participação de pessoas com deficiência em atividades culturais. “A gente sempre fala sobre acessibilidade, mas quando oferecemos alguma atividade nessa direção, nem sempre esse público se anima para participar. Por outro lado, esse meu desejo de trabalhar com esse público surgiu da minha própria formação, de poder trabalhar e construir com eles uma metodologia própria”, afirma.
Com carga horária de aproximadamente 20 horas, o módulo terá duração de duas semanas e aposta em uma imersão mais aprofundada.
“São duas semanas de atividades, então vai ter outra resposta, um pouco mais longa, porque vou ter práticas mais demoradas. A ideia é que nessa vivência eles próprios elaborem um glossário para esta atividade, a partir das referências que têm. A expectativa é de que o público se anime a estar comigo nessa experiência”, diz o fotógrafo.
Programação inclui construção de câmeras artesanais e experiências
A programação inclui desde rodas de conversa e a produção de um zine para registro das experiências até a construção de câmeras obscuras e pinhole, experimentos com luz e imagem, além de atividades que abordam conceitos como enquadramento, composição e profundidade de campo. Também estão previstas práticas de digitalização e tratamento de imagens, na etapa intitulada “Do Grão ao Pixel”.
O projeto conta com recursos do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2025, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura, reforçando o compromisso com ações formativas inclusivas e acessíveis no campo das artes visuais.
Saiba como participar
Laboratório “Olhos de Ver… com que olhos?” – Módulo VII – Fototaxia com PCDs auditivos
Quando: 20 de maio a 4 de junho de 2026, das 9h30 às 12h
Carga horária: 18 horas
Inscrições: até 11 de maio
(link na bio do Instagram @galeriakamarako)
Público: a partir de 16 anos, com disponibilidade para todas as atividades
Vagas: 20 participantes
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