A Copa do Mundo ainda nem começou, mas a movimentação nas bancas de revista e nos grupos de troca já tomou conta de Belém. Desde o lançamento do álbum de 2026, no dia 1º de maio, colecionadores paraenses voltaram a viver o ritual que atravessa gerações: rasgar o pacote com expectativa, sentir o cheiro do papel novo, procurar o escudo da Seleção e torcer para encontrar o jogador favorito.
Produzido pela Panini, o álbum desta edição é o maior da história dos Mundiais. São 980 cromos, incluindo versões especiais metalizadas, reunindo as 48 seleções participantes. Cada envelope, com sete figurinhas, custa R$ 7, e o álbum é vendido nas versões brochura e capa dura.
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O DOL conversou com colecionadores de diferentes gerações e percebeu que, além do hobby, o álbum virou também um termômetro do momento vivido pela Seleção Brasileira.
Nostalgia e frustração
Engenheiro de produção e torcedor do Clube do Remo, Wander Rodrigues começou a colecionar na Copa da Alemanha, em 2006, quando tinha apenas 10 anos. De lá para cá, nunca abandonou o costume, apesar dos preços.
“É um valor alto, porém é preciso superar esse obstáculo e manter a tradição. Mesmo tendo em mente que, em 20 anos, a inflação no preço dos cromos subiu muito. No fim, é um hobby que vale a pena. É bacana você abrir um pacotinho e vir um craque mundial. Futuramente a gente vai rever e lembrar dos bons momentos”, afirmou.
Se o bolso sente, o coração pesa ainda mais. Para Wander, o álbum escancara uma mudança de geração que nem todos os torcedores assimilaram. Ao comentar a ausência de Neymar nesta edição, ele foi direto.
“Muda muito não ter a figurinha do Neymar, pois é inadmissível ter o Lucas Paquetá no álbum e não ter o melhor jogador do Brasil nos últimos 10 anos. É um jogador diferente, que em um lance pode decidir uma partida. Espero que ele seja convocado e a figurinha apareça”, destacou.
A crítica vai além de um nome específico. Para ele, folhear o álbum virou quase um exercício comparativo e doloroso com o passar das edições.
“Chega a ser até triste ver no álbum de 2006 o Ronaldo, Kaká, Dida, Cafú, Roberto Carlos, Ronaldinho e Robinho; em contrapartida, temos que aturar atualmente Vinícius Jr, Danilo, Marquinhos, Alisson e Wesley. Fica nítido como o nível técnico da Seleção foi caindo a cada Copa. Chega a ser triste”, avaliou.
Nova geração, mesma emoção
Se Wander carrega a memória de 2006, o professor de educação física Andrew Matos representa uma geração mais recente. Ele começou a colecionar em 2018, mas garante que a essência permanece a mesma.
“Coleciono desde a Copa de 2018. A sensação de abrir um pacotinho nunca muda, independente da idade. É uma sensação única, nostálgica, muito legal de ver a surpresa que vai aparecer”, contou.
Sobre o preço, alvo de críticas desde o lançamento, o que impediu muita gente de colecionar, Andrew reconhece o impacto, mas relativiza.
“Em relação ao preço, aumentou muito. Mas as outras coisas também aumentaram. Como só tem de quatro em quatro anos, a gente já espera isso. Pagamos muito mais em coisas que ‘valem’ menos. Então, algo que vai ficar marcado na memória vale a pena ter a experiência”, ponderou.
Diferentemente de quem vê o álbum como investimento ou possibilidade de revenda, ele garante que o objetivo é afetivo.
“Por mais que muita gente complete o álbum para vender depois, o meu objetivo é somente colecionar, completar e guardar comigo”, explicou.
Com a convocação da Seleção marcada para o dia 18 de maio, cresce também a expectativa por possíveis atualizações. Sem Neymar nas páginas atuais, muitos torcedores ainda alimentam a esperança de uma mudança.
“Acredito que sim (que terá a figurinha do craque). Eles (Panini) já fizeram algumas atualizações pontuais em anos anteriores”, comentou Andrew.
Tradição em família
Se antes a coleção era vivida entre amigos de escola, hoje virou momento compartilhado dentro de casa. Andrew conta que a experiência ganhou um novo significado ao envolver a família. “Já vivo isso com minha filha e meu sobrinho. Fica ainda mais motivante e não deixa de ser mais um momento em família”, finalizou.
Entre críticas à geração atual, contas feitas na ponta do lápis e lembranças de ídolos do passado, o álbum da Copa segue cumprindo o mesmo papel de sempre: transformar simples figurinhas em memória, debate e tradição, tudo isso muito antes de a bola rolar.






