A morte da estudante Ana Clara Yasmin, de 14 anos, atropelada na última sexta-feira (24) na Avenida Senador Lemos, no bairro da Sacramenta, em Belém, segue gerando revolta e pedidos por justiça. Em entrevista exclusiva ao programa Bora Cidade desta segunda-feira (27), a mãe da jovem e o advogado da família relataram indignação e questionaram a forma como o caso está sendo conduzindo.
Segundo testemunhas e imagens de câmeras de segurança, Clara seguia pela ciclofaixa após sair da escola quando foi atingida por um carro branco. A adolescente morreu ainda no local. Emocionada, a mãe da vítima, Josilene, descreveu, o impacto de encontrar a filha sem vida. “Foi muito difícil ver a minha filha naquela pista jogada. Em nenhum momento ela foi socorrida”, afirmou. Ela também criticou a postura da motorista envolvida no acidente. “Ela não parou para prestar socorro. Seguiu, arrastou a minha filha e depois foi fazer o boletim. A gente só queria que ela estivesse lá, não que tivesse fugido”, disse.
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A mãe de Clara Yasmin também questiona o fato de a condutora ter sido liberada após um depoimento rápido. “Ela fez um boletim simples e foi liberada. No documento, diz que bateu, mas não que matou alguém. Isso revolta ainda mais”, completou.
Durante a entrevista, o advogado da família, Cauã França, apontou possíveis falhas no procedimento policial. “Ela parou rapidamente, olhou e seguiu para a delegacia. Isso não configura socorro. Prestar socorro é verificar o estado da vítima”, destacou. Segundo ele, a condutora se recusou a fazer o teste do bafômetro e o exame toxicológico não foi solicitado. “Esse exame é perecível e deveria ter sido feito imediatamente. Vamos apurar por que isso não ocorreu”, afirmou.
Outro ponto levantado pela defesa é a ausência de perícia no veículo até o momento. “Esperamos que o inquérito seja conduzido com seriedade, com coleta de imagens, depoimentos e análise técnica completa”, disse.
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Sobre a dinâmica do acidente, o advogado ressaltou que a legislação de trânsito é clara quanto à prioridade. “O Código de Trânsito estabelece que o pedestre e o ciclista têm prioridade. O condutor deve redobrar a atenção, especialmente em cruzamentos sem sinalização, como é o caso daquele trecho”, destacou.
O caso está sendo investigado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. No entanto, a família acredita que a morte poderia ter sido evitada. “Houve falta de atenção. Isso não pode ficar impune”, disse o advogado.
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