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“Cangaço Novo” retorna com tensão máxima e disputa explosiva

Entre poder e violência: a nova fase de “Cangaço Novo”

Entre rupturas, cenas intensas e uma narrativa eletrizante, a segunda temporada da série Cangaço Novo, que estreia nesta sexta-feira, 24, está imperdível. É o que descreve o ator Bruno Bellarmino em entrevista ao DIÁRIO. Intérprete de Gastão Maleiro, o ator fala sobre ambição, culpa e o peso de viver personagens extremos em uma das séries brasileiras mais bem-sucedidas da Prime Video.

Cangaço Novo narra a história de Ubaldo, interpretado por Allan Souza Lima era um menino que saiu do interior do Ceará ainda pequeno em direção à cidade de São Paulo. Na capital paulista, cresceu, serviu o Tiro de Guerra e trabalhou em um banco até ser demitido. Seu pai, vivido por Ricardo Blat, um ex-militar aposentado, está hospitalizado e a conta para seu tratamento só aumenta.

É nesse cenário de desesperança que Ubaldo se encontra antes de descobrir-se, de repente, protagonista de uma epopeia de ação em Cangaço Novo. Bruno Bellarmino é filho do poderoso e inescrupuloso senador Deocleciano, o ator Luiz Carlos Vasconcelos.

Com produção da O2 Filmes e direção de Aly Muritiba e Fábio Mendonça, a história criada por Mariana Bardan e Eduardo Melo se filia a uma tradição de combinar o faroeste de inspiração hollywoodiana com a mitologia do Sertão.

Agora, na segunda temporada, Bruno Bellarmino retorna à série em uma posição ainda mais central. Gastão Maleiro deixa de operar nas margens e passa a atuar diretamente no núcleo de poder que move a trama, mais ambicioso, estratégico e perigoso. “A ambição dele funciona quase como uma conselheira. É ela que vai indicando os caminhos para ele ganhar mais poder na região”, explica o ator, ao comentar o movimento do personagem nesta nova etapa da história.

“Cangaço Novo” chega com ritmo acelerado e tensão do começo ao fim

“Vimos o primeiro e o segundo episódio da segunda temporada. “A série está eletrizante, insana e imperdível. Logo de cara, vocês vão ter um choque gigante do que vai acontecer. Diferente da primeira temporada, ela tem uma dinâmica de ações muito mais intensas do que a primeira, tanto de ações de roubar bancos tanto de pessoas planejando ações. A trama dos outros personagens está muito envolvente”, afirma o ator, em suspense.  

E tudo já recomeça chocante: logo no início, já se resolve o desfecho da primeira temporada, relacionado ao discurso violento que o Gastão Maleiro faz contra a Irmandade das Três Irmãs. Na ocasião, os capangas dele incendiaram a igreja onde estava o pai do Ubaldo. “Na segunda temporada, a gente verá essas duas forças presentes: a Família Maleiro, agora representada pelo Gastão Maleiro e a Irmandade das Três Irmãs, representada por Dinorah, que é a Alice Carvalho, e Dilvânia, vivida pela atriz Thainá Duarte. Há uma tensão gigante entre essas duas forças, é isso que está levando a segunda temporada a mais um sucesso. Tenho certeza”, celebra o ator.

O que rola na segunda temporada?

Na segunda temporada, o que permanece na essência de Gastão Maleiro é a ambição que ele tem em se tornar o grande líder político da região. “O Gastão Maleiro é um sujeito extremamente inteligente e ambicioso. Só que o poder tira algumas habilidades como observar a situação. Ele é muito reativo. Mas agora na segunda temporada, há uma certa leveza na dinâmica com que ele vai atrás dos objetivos dele. Isso é muito interessante porque na primeira temporada, o Gastão vivia muito à margem do pai, recebendo ordens dele e tomando iniciativa só quando o pai dele permitia. Desta vez, ele passa a assumir totalmente as decisões dele. Mas é leve demais”.

Ele é um vilão que não acredita ser vilão. “Durante a pesquisa, eu ficava dizendo para mim mesmo que quem assalta banco, mata policial pai de família é um bandido e numa certa lógica, o personagem tenta justificar que ele não pega em armas, embora roube terra dos outros e comida, mas roubar, assaltar alguém não. Então para ele tem uma diferença entre herói e vilania. Na perspectiva dele, ficou muito divertida essa maneira com que ele conduz suas ações para alcançar o que deseja. Ele não mede esforços com ninguém nem com a própria família, muito menos com os outros. O que muda mais é o objetivo dele, mas a ambição continua a mesma”.

Disputa de poder domina nova fase e promete grandes conflitos

Para Bruno Bellarmino, o Cangaço Novo é uma série que tem feito bastante sucesso porque foi um encontro de grandes talentos, desde do início da ideia dos roteiristas, de Eduardo Melo e Mariana Bardan, há dez anos. “É como se fosse a sensação de uma lagoa quietinha e ao jogar uma pedra, a onda vai reverberando até onde ela não alcança mais. O Eduardo e a Mari, a partir do momento em que tiveram essa ideia, ela reverberou tanto que acabou juntando essas pessoas, no caso, o elenco e a equipe. Foi tão genuíno e autêntico essa reunião que a série se tornou um sucesso”, afirma o ator.

Depois do sucesso da primeira temporada, ele conta que tirou a barba de seu personagem porque era frequentemente parado nas ruas para ser xingado.

“As pessoas que assistiam, logo de cara, reconheciam uma certa similaridade da trama com a nossa realidade, no caso, a política. Isso é muito interessante porque percebe o quanto as pessoas estão se identificando com o personagem e as histórias contadas no enredo. Como são histórias contemporâneas, mas num contexto de ficção, acaba tendo uma abrangência maior e as pessoas comentam entre si e sobre a série, recomendam para outras pessoas porque causa essa curiosidade. Na rua, principalmente as mulheres, me xingavam porque o Gastão Maleiro era envolvido na trama das meninas na primeira temporada”.

Antes de dar vida a personagens complexos e muitas vezes violentos, Bellarmino encontrou a atuação em um contexto bem distante dos grandes sets de filmagem, no Centro Luiz Freire, em Olinda.

“Esse projeto me resgatou porque nesse bairro onde cresci, existiam alguns grupos de extermínio que viam os jovens como potenciais alvos. Então como eu fazia parte desses projetos sociais, com música e teatro, a partir do conhecimento do teatro foi a primeira vez que me reconheci como ser humano que tinha sonhos e esperança. Ali, fui criado para ter a personalidade que tenho hoje. Hoje, aos 44 anos, vejo que a arte me salvou. Fui salvo por pessoas que acreditaram em mim”, diz Bruno Bellarmino emocionado.  

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