Uma forte presença do público, com grande movimentação de pessoas circulando entre aromas de produtos regionais e o colorido do artesanato de todas as regiões do Pará deu o tom da abertura oficial da Feira de Negócios do Cooperativismo Paraense, a FENCOOP 2026, ocorrido na noite desta quinta-feira (23).
O evento, que se consolidou como um dos mais importantes do setor na região Norte, funciona como um ponto de encontro onde a inovação e o desenvolvimento socioeconômico se abraçam sob o teto do cooperativismo.
Aberta até 25 de abril, a feira reúne negócios, inovação e o fortalecimento do cooperativismo como motor de desenvolvimento. O evento é a materialização de um projeto pensado ainda em 2018, que teve sua primeira edição em 2019 e, desde então, promove o reconhecimento do setor pela sociedade paraense, fomentando o acesso a novos mercados.
Neste ano, a feira conta com a participação de 101 cooperativas de todas as regiões do Pará, representando diversos ramos com uma pluralidade de produtos e serviços, consolidando um modelo econômico inclusivo e competitivo.
O presidente do Sistema OCB Pará, Ernandes Rayol, falou sobre os legados e a importância deste evento para as cooperativas, destacando os modelos de negócios cooperativistas para a sociedade, com foco especial na agricultura familiar.
“Nós estamos aqui apresentando para a sociedade paraense por meio dessa feira oito modelos de negócios cooperativistas. Nós temos uma gama de produtos oriundos da agricultura familiar e da economia solidária. Produtos esses que nos orgulham muito, porque não têm adubos químicos, são produtos sem nenhum tipo de veneno. E o mais importante é que aquilo que hoje sobra de resíduo ou rejeito nas cooperativas, nós estamos transformando em insumos ou outros adubos que a gente pode trabalhar”, afirmou Ernandes Rayol.
O presidente ainda ressaltou a conexão do evento com os debates globais sobre o meio ambiente iniciados na capital paraense. “O legado dessa feira é jogar para o futuro esses produtos, aproveitar aquilo que nos foi dado na COP 30, onde nós fomos realmente um dos atores principais e mostramos para o mundo que nós damos conta de cuidar do nosso produto, nosso serviço”, afirmou o presidente. “Nosso maior destaque foi justamente nossa agricultura, essas pequenas empresas que estão dentro da agricultura familiar. O legado é isso, é deixar para o futuro aquilo que de melhor a gente possa oferecer para as gerações, como uma comida livre, água limpa, floresta equilibrada, integração e, acima de tudo, muito amor, muita cooperação, muita felicidade para todos”.
Diversidade de produtos
Em termos de estrutura, a feira ocupa o Galpão 3 com mais de 80 estandes. O presidente mencionou que a demanda por participação é tão alta que o espaço atual já se tornou pequeno para a grandiosidade do sistema.
“Nós temos mais de 100 cooperativas aí, e o que vocês estão vendo aqui é menos da metade do que nós temos do cooperativismo paraense nesse sistema chamado OCB Pará”, afirmou Ernandes Rayol. “Se Deus quiser, brevemente nós vamos sair daqui para um lugar maior para colocarmos todas as cooperativas”.
Caminhando pelos corredores da feira, é possível encontrar histórias como a de Francisca de Souza, da cooperativa Mulheres de Barro, de Parauapebas. Ela trouxe o brilho da cerâmica produzida por mãos femininas que transformam barro em sustento e arte.
“Eu estou achando muito bom porque o nosso trabalho fica conhecido, várias pessoas nos enxergam. Isso ajuda porque vai ter mais pessoas vendo o nosso trabalho, a exposição, e as vendas também vêm a crescer com isso”, afirma Francisca. “Na cooperativa, várias famílias trabalham, algumas que só vivem do artesanato de cerâmica, enquanto outras têm outras rendas, mas tem outras pessoas que a única renda é só do artesanato”.
Também vindo de Parauapebas, Jovenilio Cardoso, da cooperativa Coex Carajás, apresenta um trabalho que une o extrativismo sustentável à alta tecnologia farmacêutica mundial. A cooperativa atua na coleta de sementes nativas e folhas de jaborandi na Floresta Nacional de Carajás.
Jovenilio fala sobre a aplicação prática dos produtos coletados pela cooperativa. “Nós trabalhamos beneficiando sementes nativas e folha de jaborandi, usadas para fazer reflorestamento. Na área da floresta do Jaborandi tira um produto da folha, que chama pilocarpina, que vai exportada para a Alemanha e para outros países. Dessa pilocarpina é que é feito aquele colírio que trata o glaucoma. Esse é o nosso trabalho ali da Coex Carajás que nós fazemos lá em Parauapebas”, afirma Jovenilio.
Para ele, a FENCOOP é um pilar fundamental para a manutenção das atividades das famílias cooperadas. “É muito importante porque beneficia sua família, dá uma parceria muito forte, que ajuda em várias situações que nós estamos precisando. Ela apoia a gente. Nós somos muito gratos pela FENCOOP”.
Além dos estandes, o público que comparecer à Estação das Docas nos próximos dias encontrará uma programação estratégica. Entre os destaques está a Cozinha Show, realizada em parceria com a Abrasel, que traz o selo da Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO para valorizar ingredientes regionais. O evento também serve de palco para encontros como o Elas pelo Coop, focado em mulheres cooperativistas, e o Geração C/PA, voltado para os jovens do setor.
Com entrada gratuita, a FENCOOP 2026 segue aberta das 14h às 22h. Após uma edição em 2025 que movimentou R$ 7 milhões, a expectativa é de que o evento deste ano supere os resultados e reafirme o cooperativismo como uma ferramenta de transformação e união para o estado do Pará.
Serviço
Feira de Negócios do Cooperativismo Paraense, a FENCOOP 2026
- Quando: de 23 a 25 de abril
- Hora: das 14h às 22h
- Onde: Estação das Docas, Galpão 3
- Entrada gratuita