A decisão do técnico Léo Condé de manter Leonel Picco no banco de reservas voltou a chamar atenção na vitória do Clube do Remo por 3 a 1 sobre o Bahia, pela Copa do Brasil, na Arena Fonte Nova. A escolha evidenciou um contraste entre o discurso do treinador e o desempenho recente do volante que foi a contratação mais cara do Leão em toda a sua história. E mesmo com poucos minutos diante do Bahia, o argentino voltou a demonstrar sua importância.
Ao entrar no segundo tempo, substituindo Zé Welison, destacou-se pelo posicionamento, ajudando na organização da equipe e dificultando a saída de bola adversária nos minutos finais, evitando assim uma pressão do Bahia pelo empate, no qual facilitou a concretização do resultado ao Leão. Antes de perder espaço, Picco vinha de uma sequência consistente como titular, atuando durante os 90 minutos contra Bahia, Santos e Grêmio — sendo um dos destaques diante dos gaúchos.
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Após a partida contra o Vasco, Condé justificou a ausência de Picco como titular com base no momento vivido por seus concorrentes diretos no meio-campo. “A questão do Picco não é em relação a ele, é em relação a merecimento. Zé Welison e Patrick cresceram muito de produção nessas últimas semanas. Como optei por jogar com uma dupla de volantes, não teria como utilizar todos. O Picco é um jogador que ainda será bastante usado, mas o momento é do Zé pedindo passagem”, explicou. Apesar da justificativa, os números do volante colocam em xeque o critério adotado.
Picco é, atualmente, o principal recuperador de bola do Campeonato Brasileiro Série A, sendo o único atleta com pelo menos 20 desarmes e 15 interceptações na competição. Em nove partidas, soma 21 desarmes e 16 interceptações. A ausência também foi sentida no duelo contra o Red Bull Bragantino, quando o meio-campo do Remo apresentou dificuldades de compactação e deixou espaços que favoreceram as transições rápidas do adversário.
Critérios deixam o torcedor cheio de questionamentos
Na ocasião, o setor foi formado por Patrick, Zé Welison e Jaderson, em uma configuração diferente das anteriores. Entre compromissos do Brasileirão, Picco manteve ritmo de jogo ao atuar os 90 minutos na Copa Norte, contra o Águia de Marabá. Mesmo assim, ainda não recuperou a vaga entre os titulares. A situação levanta dúvidas sobre os critérios adotados pela comissão técnica e mantém em aberto a disputa por espaço no meio-campo azulino ao longo da temporada.