O brasileiro Robson Gonçalves, de 36 anos, protagonizou uma das cenas mais marcantes da Maratona de Boston deste ano e acabou ganhando destaque na imprensa internacional após abrir mão de um objetivo pessoal para ajudar outro atleta nos metros finais da prova. Faltando entre 200 e 300 metros para a chegada, quando ainda tinha chance de alcançar seu melhor tempo, Robson avistou o norte-americano Ajay Haridasse em colapso, sem conseguir se manter de pé.
A decisão foi imediata: parar. Com a ajuda do britânico Aaron Beggs, os três seguiram juntos até cruzar a linha de chegada, sob aplausos do público. A cena rendeu aos atletas o apelido de “heróis” em veículos internacionais.
O gesto humanitário na reta final
“Foi uma decisão muito rápida. Eu precisava de alguns segundos para bater meu melhor tempo, mas vi o rapaz caído no chão e decidi ajudar. Naquele momento, precisava da ajuda de outra pessoa. Pensei: ‘Meu Deus, se alguém parar, eu paro também e o ajudo’. E deu tudo certo”, relatou. Ele também destacou o espírito coletivo da prova: “Esse é o espírito da maratona e do esporte. Dois são mais fortes que um. Ainda mais depois de correr uma maratona”.
Mesmo sem fluência em inglês, Robson conseguiu se comunicar com instruções simples durante o trajeto final. “Eu disse pra ele: ‘up, up and walking’. Nós estávamos muito exaustos. Quando cruzamos a linha, já havia uma equipe médica preparada”, contou. O desgaste físico foi tão intenso que o próprio brasileiro também precisou de atendimento. “A cadeira de rodas que seria pra ele acabou ficando pra mim e depois trouxeram outra pra ele”, disse.
Trajetória e preparação para Boston
A trajetória de Robson no esporte começou de forma modesta, com treinos esporádicos e distâncias curtas. A primeira maratona veio em 2019, em São Paulo, e marcou o início de uma dedicação mais intensa. O objetivo era claro: disputar Boston, considerada a mais tradicional prova do gênero e que exige índice classificatório rigoroso.
A vaga só foi conquistada em 2024, após superar o tempo mínimo na Maratona do Rio de Janeiro, com uma margem confortável. “Consegui fazer 17 minutos abaixo do índice e já sabia que ia conseguir correr Boston”, lembrou. Para este ano, o plano era baixar o próprio recorde, com a meta de correr abaixo de 2h40. O desempenho, no entanto, acabou ficando em segundo plano diante da situação inesperada na reta final.
“Treinei muito para bater meu tempo de Buenos Aires. Meu sonho é correr abaixo de 2 horas e 40. Mas, no final da prova, já senti o cansaço e vi que não conseguiria. Então, o plano era manter o índice”, afirmou.
O que ele não previa era que, em vez de um recorde pessoal, sairia da prova com algo mais raro no esporte de alto rendimento: o reconhecimento por um gesto de humanidade que atravessou a linha de chegada junto com ele.
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