A riqueza cultural e a biodiversidade da região Amazônica ganharam um palco global de alta tecnologia nesta segunda-feira (20), com o início da Hannover Messe, a maior feira de inovação industrial do mundo, realizada na Alemanha. Até o dia 24, os artistas paraenses Kambô, Moara Tupinambá e PV Dias, ao lado do amazonense Paulo Desana, apresentam suas obras no estande da Vale, que este ano adota o conceito de “Amazônia Futurista”.
O espaço de 198 metros quadrados foi estrategicamente projetado para desconstruir visões simplistas sobre o território, apresentando-o como um polo de conhecimento ancestral e inovação tecnológica conectado diretamente aos desafios da transição energética global.
Biodiversidade: visão e complexidade amazônica
A mostra fotográfica e visual destaca o trabalho de Moara Tupinambá, que utiliza colagens e arquivos históricos para tencionar a identidade indígena e a herança colonial. “É uma oportunidade única de levar a visão e a complexidade da nossa Amazônia para um público global”, afirmou a artista.
Já PV Dias, presente no evento, leva suas pinturas e murais que inserem figuras humanas em paisagens pluralistas. Segundo o artista, seu objetivo é que o público enxergue a região como um ambiente de criatividade pulsante “e não só como um território cheio de recurso a ser explorado”.
Olhar indígena para o centro da inovação alemã
Complementando o time, Kambô (pseudônimo de Luan Rodrigues) funde belas-artes com realidade aumentada e vídeo mapping, enquanto Paulo Desana traz a profundidade do olhar indígena amazonense para o centro da inovação alemã.
O protagonismo brasileiro nesta edição é acentuado pelo fato de o Brasil ser o país-parceiro oficial da Hannover Messe em 2026. Kennedy Alencar, diretor de Relações Institucionais da Vale, destacou a importância estratégica da iniciativa durante a abertura do evento. “Estar na Hannover Messe é a oportunidade de mostrar como estamos construindo o futuro da mineração, tornando essa indústria mais inovadora e sustentável.
A Amazônia se conecta a essa visão por ser o grande exemplo onde aliamos mineração responsável ao respeito ao meio ambiente”, pontuou o porta-voz. Não há registros de acusações ou ações judiciais contra os envolvidos ou o projeto, que segue focado na promoção da diplomacia cultural e corporativa.
Além da exposição artística, o estande oferece uma experiência imersiva inédita intitulada “Living Forest”, concebida pelo cineasta Estevão Ciavatta em parceria com o Megadiverso Instituto Cultural. A obra audiovisual utiliza um paredão de LED de 15 metros para proporcionar uma experiência sensorial profunda sobre a floresta brasileira.
A feira de Hannover funciona como o principal termômetro para a indústria 4.0 e, em 2026, coloca a estética amazônica e o talento de seus povos no centro das discussões sobre sustentabilidade e progresso industrial, reafirmando a cultura como uma força motriz de inovação internacional.
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