Presidente da Ferrari pode assumir SAF do Botafogo

Gigante da Ferrari entra no radar do Botafogo em meio à crise

A possível entrada de John Elkann, o presidente da Ferrari, no controle da SAF do Botafogo sinaliza um cenário de virada estrutural. No entanto, isso depende de fatores típicos desse tipo de operação: tamanho da dívida, modelo de gestão e estratégia esportiva de longo prazo. O interesse do executivo italiano surge em meio à crise da Eagle Football Holdings, grupo fundado por John Textor. Esse grupo reúne ativos como o Olympique Lyonnais e o RWDM Brussels, além do próprio Botafogo.

John Textor é o empresário norte-americano, dono da Eagle Football Holdings e o investidor responsável pela SAF do Botafogo desde 2022. Ele comprou 90% das ações do clube carioca, comprometendo-se a investir, inicialmente, R$ 400 milhões. No entanto, “se descomprometeu” no meio do caminho, deixando o time carioca em crise.

O interesse do presidente da Ferrari ganhou tração após reportagens do Financial Times e do Tuttosport sobre o processo de administração da holding, semelhante a uma recuperação judicial. Isso abre caminho para a venda de participações.

A possível entrada de John Elkann, o presidente da Ferrari, no controle da SAF do Botafogo sinaliza um cenário de virada estrutural.

Entendendo a SAF

Para entender o que está em jogo, é essencial explicar o que é a SAF: a Sociedade Anônima do Futebol é um modelo jurídico criado no Brasil para profissionalizar a gestão dos clubes. Na prática, o clube tradicional (associação civil) pode transferir o departamento de futebol — com seus ativos e passivos — para uma empresa. A empresa passa a ser controlada por investidores. Assim, essa empresa pode vender ações, captar recursos e operar com regras de governança mais rígidas, semelhantes às de grandes corporações.

Nome forte da Ferrari surge como possível dono do Botafogo

Quando um investidor compra a SAF, ele não está adquirindo “o clube inteiro” no sentido histórico e social. Na verdade, ele adquire o controle da operação do futebol. Isso normally inclui o elenco profissional e categorias de base, direitos econômicos de jogadores, contratos de patrocínio e transmissão. Inclui também receitas futuras (bilheteria, marketing, naming rights), além das dívidas vinculadas ao futebol.

Ativos podem entrar no negócio

Dependendo da estrutura do negócio, também podem entrar ativos como centros de treinamento, participação em estádios e marcas comerciais. O passivo é parte central. No caso do Botafogo, a dívida superior a R$ 2,7 bilhões é um dos pontos mais sensíveis. Isso influencia diretamente o valor e o apetite dos investidores.

Foto: Vitor Silva/Botafogo.

Se Elkann avançar, o perfil do investimento tende a ser diferente do modelo atual. Como líder da Ferrari e figura central no grupo Stellantis, além de ter ligação histórica com a Juventus, ele representa um tipo de gestão mais industrial e estruturada. Seu foco está em marca global, eficiência operacional e valorização de ativos. Isso pode significar maior disciplina financeira, investimentos mais calculados e integração com estratégias internacionais de negócios e marketing esportivo.

Botafogo no radar de investidores

John Textor. Foto: Divulgação

Por outro lado, o desfecho não depende apenas de um interessado. O processo envolvendo a Eagle Football atrai outros grupos relevantes, como a RedBird Capital, a Apollo Global Management e até agentes ligados ao BTG Pactual. Isso indica que o Botafogo está no radar de investidores com diferentes perfis. Eles vão de fundos financeiros a grupos especializados em esporte — o que tende a elevar o nível de exigência nas negociações.

O futuro do clube, portanto, passa por três eixos: reestruturação da dívida, definição de um modelo de gestão sustentável e capacidade de competir esportivamente sem repetir ciclos de endividamento. Se a aquisição ocorrer sob um investidor com forte governança e visão de longo prazo, o Botafogo pode caminhar para estabilidade e crescimento gradual.

Se prevalecer um modelo mais agressivo, com foco em resultados rápidos, o risco de instabilidade permanece. Em qualquer cenário, a SAF transforma o clube em ativo de mercado — e, como tal, seu destino passa a ser decidido menos na arquibancada e mais na mesa de negociação.

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