Eleitores 70+ precisam regularizar título até 6 de maio; veja

Campanha nacional incentiva idosos a atualizar o título de eleitor antes do prazo final. Foto: divulgação/reprodução

A campanha Voto 70+ entrou em cena e passou a convocar pessoas com 70 anos ou mais a assumir um papel mais ativo nas eleições 2026. O movimento tem caráter cívico e apartidário. Ele surgiu a partir de dados que revelam um cenário preocupante. Hoje, milhões de brasileiros dessa faixa etária estão fora das urnas. Por isso, a primeira fase da mobilização concentra esforços na regularização do título de eleitor, que precisa ocorrer até 6 de maio, para garantir a participação no processo democrático. O passo a passo está em https://voto70mais.com.br/

A iniciativa parte da consultoria data8, que atua com dados sobre longevidade e comportamento social. Segundo o levantamento do grupo, o Brasil já se tornou uma nação mais envelhecida, porém ainda não reconhece plenamente o peso político dessa população. Atualmente, cerca de 59 milhões de brasileiros têm 50 anos ou mais, e a tendência é de crescimento acelerado nas próximas décadas. Em 2026, esse público representará 28,5% da população, e, em 2044, poderá chegar a 40%.

Além disso, os dados mostram um índice elevado de abstenção eleitoral entre pessoas 70+. Nas eleições de 2022, aproximadamente 60% desse grupo não compareceu às urnas, com um percentual ainda maior entre mulheres. Esse cenário acendeu um alerta. Afinal, a diferença entre candidatos no segundo turno presidencial daquele ano ficou abaixo de 6%. Portanto, a presença ou ausência desse eleitorado pode definir resultados.

De acordo com a cofundadora da data8, Clea Klouri, existe uma contradição evidente no país. “Estamos diante de uma contradição importante: nunca tivemos tantas pessoas vivendo mais, com mais experiência e capacidade de contribuição e, ao mesmo tempo, nunca tivemos tanta gente fora das decisões. A maior geração da história está ficando de fora da democracia. E isso não é um detalhe, é um problema estrutural do país”, justifica.

Ainda segundo os dados analisados, dos quase 15 milhões de eleitores com 70 anos ou mais cadastrados, cerca de 8 milhões não votam. A situação se torna ainda mais crítica quando se observa o comportamento feminino. Nas últimas eleições, 64% das mulheres 70+ não participaram do pleito, um índice aproximadamente 10 pontos percentuais superior ao dos homens na mesma faixa etária.

Diante desse quadro, a campanha busca mudar a percepção social sobre envelhecimento e cidadania. Ela também pretende reforçar que a participação política não termina com a idade. Pelo contrário. O movimento defende que a experiência acumulada ao longo da vida fortalece o debate público. “O país envelheceu, mas essa mudança não se reflete plenamente na democracia. Diante disso, desenvolvemos uma campanha cidadã, apartidária, com o apoio de diferentes atores da sociedade para transformar esse contexto”, afirmou Clea Klouri.

A mobilização ganhou visibilidade nacional desde o lançamento, ocorrido em 13 de abril. A campanha conta com a participação dos atores Ary Fontoura e Zezé Motta em ações digitais e também recebeu apoio de lideranças da sociedade civil, como a empresária Luiza Trajano. Além disso, equipes realizam atividades de conscientização em agências do INSS, entre abril e início de maio, em 32 cidades brasileiras, com foco na orientação sobre a importância de atualizar o título de eleitor.

Outro ponto relevante envolve a transformação demográfica global. Segundo dados da ONU, divulgados em 2024, a população com mais de 50 anos cresce cerca de 3% ao ano no mundo e já se aproxima de 2 bilhões de pessoas. Nesse contexto, o Brasil ocupa posição estratégica na América Latina e caminha para se tornar, até 2050, um dos países mais envelhecidos do planeta.

Por fim, os organizadores destacam que ampliar a participação eleitoral da população idosa significa fortalecer a democracia. Eles defendem que a presença nas urnas garante voz ativa nas decisões que impactam o presente e o futuro do país. “O conceito de velho ficou velho. A maturidade deixou de ser fim, virou recomeço. O envelhecimento já transformou o país, mas essa transformação ainda não chegou à democracia. E isso aparece de forma clara no voto: hoje, quem mais vive é quem menos vota”, concluiu Clea Klouri.

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