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Galdino Pataxó: crime que chocou o Brasil completa 29 anos

Assassinato do indígena Galdino completa 29 anos e volta ao debate após agressão recente contra morador de rua Foto: divulgação/reprodução

O ataque cometido por estudantes de Direito de uma faculdade particular contra um morador em situação de rua, em Belém, e que repercutiu nacionalmente, trouxe de volta uma lembrança dolorosa na memória coletiva do país.

Em 2026, o assassinato do indígena Galdino Jesus dos Santos completa 29 anos e volta ao centro das discussões sobre violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade social.

O caso se tornou um dos episódios mais chocantes da história recente do Brasil e permanece como símbolo de crueldade e desumanização. O crime aconteceu na madrugada de 20 de abril de 1997, em Brasília (DF).

Galdino era líder indígena da etnia pataxó-hã-hã-hãe e havia viajado à capital federal para participar de reuniões sobre a demarcação de terras indígenas no sul da Bahia.

Após retornar de atividades relacionadas ao Dia do Índio, ele não conseguiu entrar na pensão onde estava hospedado por causa do horário e decidiu dormir em um ponto de ônibus localizado na região da W3 Sul.

Enquanto dormia, cinco jovens passaram pelo local e decidiram atacar a vítima. O grupo era formado por Max Rogério Alves, Antônio Novely Cardoso Vilanova, Tomás Oliveira de Almeida, Eron Chaves Oliveira e Gutemberg Nader Almeida Júnior, que era menor de idade na época.

Eles foram até um posto de combustíveis, compraram gasolina e retornaram ao ponto de ônibus. Em seguida, jogaram o líquido inflamável sobre o corpo do indígena e atearam fogo.

Tomás Almeida, Eron Chaves, Antônio Novely, Max Rogério Alves e Gutemberg Nader queimaram Galdino vivo e hoje todos exercem cargos federais com altos salários. Foto: divulgação/reprodução

A liderança indígena sofreu queimaduras graves em grande parte do corpo e foi socorrida ainda com vida, mas morreu horas depois em decorrência das lesões.

O crime gerou revolta nacional, provocou protestos em diversas cidades e expôs uma discussão profunda sobre violência, preconceito e banalização da crueldade contra pessoas consideradas vulneráveis ou invisibilizadas socialmente.

O advogado Evandro Castelo Branco Pertence, filho do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence, estava saindo de uma festa de casamento por volta das 5h quando viu a bola de fogo humana a Avenida Asa Sul.

Ele parou o carro e cobriu Galdino com seu paletó, auxiliado por outro homem, enquanto a vítima gritava pedindo ajuda. Depois, o advogado usou o extintor de incêndio de seu carro. O pataxó de 44 anos foi levado, consciente, ao Hospital da Asa Norte. Mas morreu horas depois.

O resultado da “brincadeira” contra Galdino dos Santos lhe custou a vida após ter 95% do corpo queimado. Foto: Sérgio Marques/Agência O GLOBO

Durante o julgamento, os acusados afirmaram que pretendiam apenas dar um “susto” na vítima e alegaram que acreditavam se tratar de um morador de rua.

A justificativa causou indignação e passou a ser lembrada como um exemplo de desumanização e irresponsabilidade.

Em 2001, os quatro maiores de idade foram condenados por homicídio doloso a 14 anos de prisão. O quinto envolvido, que era menor, cumpriu medida socioeducativa.

Considerado um bom agricultor e também uma espécie de conciliador na aldeia onde morava, o líder indígena tinha mulher e era pai de três filhas.

A viúva de Galdino chorando entre familiares após a morte do pataxó. Foto: Sérgio Marques/Agência O GLOBO

Apesar da gravidade do crime, os condenados obtiveram benefícios legais e deixaram a prisão após alguns anos. Com o passar do tempo, reconstruíram suas trajetórias profissionais e passaram a exercer funções em diferentes áreas do serviço público e da administração pública.

Atualmente, Tomás Oliveira de Almeida atua como técnico legislativo no Senado Federal. Eron Chaves Oliveira trabalha como agente do Departamento de Trânsito do Distrito Federal. Antônio Novely Cardoso Vilanova é servidor da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Max Rogério Alves passou a atuar na área jurídica e teve vínculo com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, além de exercer atividades em escritório de advocacia.

Assassinato que chocou o país segue sendo lembrado quase três décadas depois. Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O GLOBO

Já Gutemberg Nader Almeida Júnior, que era menor na época do crime, tentou ingressar na Polícia Civil, mas foi reprovado na avaliação de vida pregressa.

Posteriormente, ele foi aprovado em concurso público para a Polícia Rodoviária Federal e passou a integrar a corporação. Anos depois, chegou a ocupar cargo de chefia dentro da instituição, o que voltou a gerar debates e críticas na opinião pública.

Quase três décadas após o crime, o caso continua sendo citado sempre que episódios de violência contra pessoas vulneráveis ganham repercussão nacional.

O ataque recente contra um morador de rua em Belém provocou essa associação imediata. Em ambos os episódios, a violência foi praticada por jovens contra uma pessoa em situação de fragilidade social e ocorreu em espaço público, gerando indignação coletiva e ampla repercussão.

Indígenas carregam caixão com corpo de Galdino Pataxó. Foto: Givaldo Barbosa/Agência O GLOBO

O episódio registrado em Belém segue sob investigação das autoridades policiais. Os estudantes envolvidos já foram afastados das atividades acadêmicas e podem responder por crimes previstos na legislação brasileira, conforme o andamento das apurações.

O post Galdino Pataxó: crime que chocou o Brasil completa 29 anos apareceu primeiro em Diário do Pará.

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