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Filha de PM morta por tenente-coronel recebe pensão após 49 dias

Filha de Gisele Alves começou a receber pensão quase dois meses após a morte da mãe Foto: divulgação/reprodução

A filha da policial militar Gisele Alves Santana começou a receber a pensão do governo de São Paulo quase dois meses após o assassinato da mãe. O início do pagamento trouxe alívio financeiro, mas também reforçou a indignação da família por causa da diferença entre os valores pagos à criança e ao tenente-coronel acusado do crime. Hoje, a menina deve receber cerca de R$ 5,3 mil líquidos por mês, enquanto o oficial continuará recebendo aproximadamente R$ 21 mil de aposentadoria. Na prática, o valor dele é quase quatro vezes maior que o benefício destinado à filha da vítima.

O primeiro depósito ocorreu nesta semana e foi de aproximadamente R$ 8,5 mil brutos, valor referente ao período proporcional desde a morte da policial até o mês seguinte. Após os descontos, o montante líquido ficou perto de R$ 7,2 mil. Esse pagamento inicial reuniu valores acumulados dos primeiros dias após o falecimento e do mês completo seguinte.

A partir dos próximos meses, a estimativa é que a pensão mensal fique em torno de R$ 6,3 mil brutos. Com os descontos obrigatórios, o valor líquido deve ser de cerca de R$ 5,3 mil. O cálculo considera a remuneração que a policial recebia na data da morte e também o reajuste salarial concedido recentemente aos policiais militares do estado.

Aposentadoria do tenente-coronel e disparidade nos valores

Já o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso pela suspeita de ter matado a própria esposa, conseguiu a aposentadoria integral poucos dias após o crime. O pedido de passagem para a reserva foi feito por ele próprio e aprovado pela corporação com base nas regras da carreira. Antes da prisão, o salário bruto do oficial era de cerca de R$ 28,9 mil. Com os descontos e critérios legais, a aposentadoria deve ficar em torno de R$ 21 mil líquidos mensais.

Essa diferença de valores se tornou um dos principais pontos de revolta para a família da policial. Os parentes afirmam que a demora para liberar a pensão contrasta com a rapidez na concessão da aposentadoria ao principal suspeito do feminicídio. Segundo o advogado que representa a família, a situação revela uma discrepância que gera indignação não apenas entre os familiares, mas também na sociedade.

A família também questiona a falta de clareza nas informações sobre o cálculo do benefício. O advogado declarou que os dados repassados ao banco e aos responsáveis pela criança não foram totalmente esclarecidos. Por isso, novos pedidos de explicação já foram encaminhados à São Paulo Previdência, órgão responsável pelos pagamentos.

Ações legais e posição da São Paulo Previdência

Além disso, a defesa da família informou que pretende buscar indenização contra o tenente-coronel. A intenção é garantir um suporte financeiro mais amplo para a criança, incluindo custos com educação, saúde e manutenção ao longo dos próximos anos.

A São Paulo Previdência afirmou que o cálculo segue a legislação vigente e que o pagamento considera a remuneração da policial no momento do falecimento. O órgão também informou que não divulga detalhes completos do benefício por causa das regras de proteção de dados e por se tratar de uma beneficiária menor de idade.

Investigação e acusações criminais

A Polícia Militar esclareceu que a transferência para a reserva não impede punições futuras. O tenente-coronel pode ser expulso da corporação e perder a patente caso seja condenado. No entanto, a suspensão definitiva do pagamento depende de decisão judicial final.

O oficial está preso preventivamente desde março e responde por feminicídio e fraude processual. Ele nega o crime e sustenta que a esposa teria tirado a própria vida. A investigação, porém, encontrou indícios que apontam para homicídio, incluindo sinais de agressão, inconsistências na cena e possíveis tentativas de manipulação de provas.

Relatos de colegas da policial também indicaram que o relacionamento era marcado por controle, ciúmes e conflitos frequentes. Esses elementos reforçaram a suspeita de violência doméstica e contribuíram para a mudança da classificação inicial do caso.

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