Dos mesmos criadores de “Olha a Beija-Flor aí, gente! Chora, cavaaaco!” vem aí o “Olha o Marajó… Olha o Pará aí, gente!”. A cultura do Arquipélago do Marajó vai ganhar destaque nacional no Carnaval de 2027. A escola de samba Beija-Flor de Nilópolis anunciou que levará para a Marquês de Sapucaí a história da pajé paraense Zeneida Lima, uma das principais referências culturais da região Norte, com o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”.
A escolha foi divulgada pela própria agremiação, que decidiu mergulhar na ancestralidade amazônica após conquistar o vice-campeonato em 2026 com o enredo “Bembé”. Desta vez, a proposta é contar a trajetória de vida de Zeneida, reconhecida como a última pajé marajoara, destacando sua atuação como líder espiritual, ambientalista e defensora dos saberes tradicionais.
Quem é Zeneida Lima
Com 91 anos, Zeneida Lima também é compositora, escritora e ativista social. Ela está à frente da Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia, onde desenvolve ações voltadas à educação e à preservação ambiental, atendendo cerca de 180 crianças e adolescentes. Sua história é marcada pelo compromisso com a valorização da cultura amazônica e pela transmissão de conhecimentos ancestrais às novas gerações.
Zeneida e Beija-Flor: uma história de décadas
A relação entre a pajé e a escola não é recente. Em 1998, a Beija-Flor conquistou o título do Carnaval carioca com um desfile inspirado no livro “O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó”, obra de autoria de Zeneida. Agora, quase três décadas depois, a agremiação retoma esse vínculo, desta vez colocando a própria trajetória da líder marajoara no centro da avenida.
“Sua trajetória foi registrada no livro O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó (1992), que deu origem ao desfile campeão da Beija-Flor em 1998 e selou o primeiro encontro entre a pajé e a escola. Agora, quase 30 anos depois, a agremiação retoma esse encontro sob uma nova ótica: a própria trajetória de vida de Zeneida, em um reencontro marcado pela força simbólica de sua história”, relembrou a escola.
Em vídeo divulgado nas redes sociais da escola, Zeneida se apresentou ao público e reforçou sua identidade e legado: “Eu sou Zeneida Lima, tenho 91 anos e sou a última pajé do Marajó da tribo Sacaca”.
A homenagem em vida reforça a importância de sua atuação não apenas no campo espiritual, mas também na defesa do meio ambiente e na preservação da cultura do Marajó, que deve ganhar ainda mais visibilidade com o desfile na Sapucaí.
A Beija-Flor e os últimos Carnavais
Nos dois últimos carnavais, a Beija-Flor de Nilópolis manteve-se entre as protagonistas da Sapucaí. Em 2026, com o enredo “Bembé”, a escola ficou na segunda colocação ao somar 269,9 pontos, em uma disputa apertada que teve a Unidos do Viradouro como campeã, com 270,0; seguida ainda por Unidos de Vila Isabel (269,9), Acadêmicos do Salgueiro (269,7) e Imperatriz Leopoldinense (269,4).
Já em 2025, a agremiação conquistou o primeiro lugar, com título tendo o enredo “Laíla de Todos os Santos, Laíla de todos os sambas”, alcançando a pontuação máxima de 270,0, à frente da Grande Rio (269,9), Imperatriz (269,8), Viradouro (269,4) e Portela (269,4).
Relembre: Pará também já foi homenageado na Sapucaí
O Pará já brilhou recentemente na Marquês de Sapucaí, reforçando a presença da cultura amazônica no maior espetáculo do Carnaval brasileiro.
Grande Rio – 2025
Em 2025, a Acadêmicos do Grande Rio levou para a avenida o enredo “Pororocas parawaras: as águas dos meus encantos nas contas dos curimbós”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A proposta foi uma imersão mística na cultura paraense, com referências a pajelanças, encantarias, igarapés, terreiros de Tambor de Mina e toda a riqueza simbólica das águas amazônicas.
O samba-enredo também teve forte identidade paraense, com assinatura do marajoara Mestre Damasceno (1954 – 2025), quilombola do Salvá, de Salvaterra, também do Marajó, que dividiu a autoria com Ailson Picanço, Davison Jaime, Tay Coelho e Marcelo Moraes.
Reconhecido como um dos grandes nomes da cultura popular, Mestre Damasceno, também criou o Búfalo-Bumbá e segue como referência artística mesmo após perder a visão aos 19 anos.
Paraíso do Tuiuti – 2023
Já em 2023, a Paraíso do Tuiuti também prestou homenagem à cultura marajoara com o enredo “Mogangueiro da cara preta”, que contou a história da chegada dos búfalos ao Marajó e sua transformação em símbolo da região, além de destacar o carimbó. Na ocasião, Mestre Damasceno foi um dos homenageados e saiu de Salvaterra para participar do projeto, emocionando-se ao sentir de perto a energia do barracão da escola, reforçando o reconhecimento nacional de sua trajetória na cultura popular.
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