Com público cativo em Belém, o cantor, compositor e escritor gaúcho Vitor Ramil apresenta em Belém seu novo show neste fim de semana. Serão duas noites no Teatro Gasômetro, nesta sexta-feira, 10, e sábado, 11 de abril, levando ao palco a sensibilidade poética e musical do artista, um dos nomes mais respeitados da música brasileira contemporânea.
Autor de clássicos da canção, Vitor é reconhecido pela originalidade e uma trajetória marcada pela sofisticação musical, com obras interpretadas por ícones como Mercedes Sosa, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Ney Matogrosso e Gal Costa. Em sua “estética do frio”, o Sul – e muito especialmente sua Pelotas natal – aparece como centro de uma narrativa artística própria, diversa e profunda que criam um tempo particular.
Tudo isso estará no show, que tem como ponto de partida o álbum mais recente do artista, “Mantra Concreto”, criado a partir da poesia de Paulo Leminski, mas que também alcança sucessos de várias épocas da carreira do cantor.
Ao violão, num formato intimista em que fica bem à vontade, Vitor Ramil apresenta ao vivo a intensidade lírica, a beleza dos arranjos e a presença que constrói pontes entre a canção popular, a literatura e a reflexão estética.
Confira a seguir a entrevista concedida ao DIÁRIO pelo artista, via email, sobre as apresentações em Belém:
O formato do show
P: Fala um pouco do que preparas para esses dois shows em Belém. O repertório, se te apresentas só ou com músicos acompanhantes, a proposta das apresentações… Há uma participação da cantora Simone Almeida…
R: Preparo canções que eu sei que o público de Belém gosta. É um público muito musical e afetivo. Adoro a troca com ele. Será um show solo. A Simone Almeida admiro de longa data, vai ser uma alegria ter a participação dela. Ainda vamos decidir como será.
Relação com Belém
P: Belém é uma cidade que tens sempre revisitado ao longo da carreira e onde há sempre um público fiel e ansioso pelos shows. Como é voltar à cidade e a essa plateia? Existem mesmo, na vida de um artista, lugares que vão se construindo como especiais?
Percebo o público de Belém como de muita personalidade. Gosta de coisas musicalmente ricas e de letras fortes. Só não vou mais porque moro no outro extremo do país, o que dificulta também que eu leve os shows completos a cada lançamento de disco novo.”
P: Em que ponto da mistura a estética do frio encontra a nossa estética do calor? O que surge nesse meio termo?
R: Quem sabe o impressionismo da umidade e tudo de sugestivo que ele carrega? Pelotas e Belém se parecem muito. A diferença é que no extremo sul passamos longas temporadas de frio. Quanto ao calor, o do clima subtropical às vezes é pior.
Perfil do trabalho
P: O show inclui músicas de vários álbuns, até o mais recente “Mantra Concreto”. O que dirias que costura todas essas fases e se mantém como um lastro no teu trabalho?
R: Os caminhos harmônicos, melódicos e poéticos que são reiterados e a partir dos quais avanço é que fazem a costura. “Mantra Concreto” tem muito a ver com “Tambong”, meu disco de 2000. Nos shows daí eles vão definir a família de canções que apresentarei ao vivo.
P: Aliás, fizeste chamada nas redes para que os fãs fizessem seus pedidos de música. O que já está assegurado a partir desses pedidos?
R: “Espaço”, “Grama Verde”, “Assim Assim”, “Loucos de Cara”…
P: Em tuas composições, mesmo aquelas com pegada mais pop, assim como nos teus shows, há um tempo da canção que soa mais intimista, mais introspectivo, mais reflexivo, feito de imagens mais sutis. A relação com a poesia em teu trabalho parece permear isso. É difícil ir na contramão de um mercado musical que está sempre buscando rapidez, consumo viral?
Nunca penso em mercado. Gosto justamente de não fazer parte dele, mas de buscar cada vez mais uma linguagem particular. Com isso, o que é reflexivo ou introspectivo se impõe, porque é meu jeito de funcionar.”
Música em família
P: Nos últimos anos, tens participado em paralelo da Casa Ramil, com os irmãos e novas gerações da família, assim como acompanhado o trabalho solo do teu filho Ian. Kleiton e Kledir falaram de como esse contato com os artistas mais jovens da família tem alimentado uma renovação na música deles. Funciona assim para ti também? Trocas ideias, colaborações?
R: Sem dúvida. Em nossa casa sempre foi assim. Nem dá pra dizer que é “em paralelo”. Estamos todos sempre dentro da Casa Ramil.
P: Algum recado em especial aos paraenses e a Belém?
R: Quero levar o meu melhor para vocês. É o mínimo que posso fazer para retribuir essa sintonia de tantos anos entre nós.
Serviço
Show de Vitor Ramil
Quando: Dias 10 e 11 de abril (sexta-feira e sábado), às 19h30.
Onde: Teatro Gasômetro (Parque da Residência – Av. Magalhães Barata, 830 – São Brás, Belém)
Ingressos: à venda pelo www.sympla.com.br e na loja Outer (Boulevard 2° piso)
Mais informações: 91 98510-5190.
O post Vitor Ramil reencontra público de Belém apareceu primeiro em Diário do Pará.



