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CNN dispara e GloboNews afunda após “vexame do PowerPoint”

CNN encosta e assume protagonismo após erro grave da GloboNews

A CNN Brasil alcançou, pela primeira vez, a liderança entre os canais de notícias da TV por assinatura no país no mês de em março, em um movimento diretamente influenciado pela crise de credibilidade enfrentada pela GloboNews após a exibição de um infográfico impreciso no programa Estúdio i — episódio que passou a ser chamado, nos bastidores e nas redes, de “vexame do PowerPoint”.

Segundo dados do Ibope obtidos pelo portal TV Pop, a CNN Brasil registrou 11,1 milhões de telespectadores únicos ao longo dos 31 dias do mês, considerando o Painel Nacional de Televisão, que mede as 15 principais regiões metropolitanas do país. No mesmo período, a GloboNews ficou apenas 2% à frente — diferença que, pelas regras de arredondamento, configura empate técnico. Na prática, porém, o mercado já trata o cenário como uma virada simbólica a favor da CNN.

O avanço da emissora ocorre no rastro de um episódio que expôs fragilidades no controle editorial da concorrente. No dia 20, o Estúdio i exibiu uma arte intitulada “Conexões de Daniel Vorcaro”, em referência ao banqueiro envolvido no chamado caso Master. O material, apresentado em formato semelhante ao diagrama usado por Deltan Dallagnol durante a Operação Lava Jato, sugeria ligações do empresário com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o PT, sem deixar claros os critérios adotados nem a natureza dessas conexões.

A repercussão foi imediata e negativa. O conteúdo foi criticado por omissões relevantes, falta de rigor na apuração e mistura de informações de naturezas distintas — desde contatos institucionais até relações pessoais ou sob investigação. A ausência de nomes ligados a outros espectros políticos também levantou suspeitas de viés na construção da peça.

Desculpas ao vivo

Diante da crise, a jornalista Andréia Sadi pediu desculpas ao vivo na edição seguinte do programa. Ela reconheceu que o material estava “errado, incompleto” e não explicitava os critérios utilizados. Segundo a apresentadora, o conteúdo misturou diferentes tipos de relação e deixou de incluir personagens já citados publicamente no caso, incluindo autoridades do Judiciário e ex-dirigentes do Banco Central sob investigação.

Nos bastidores da GloboNews, o episódio gerou uma crise interna. A direção passou a avaliar punições a profissionais envolvidos na produção e aprovação do material. Entre as medidas já adotadas, está o afastamento do editor-chefe do Estúdio i, Rodrigo Caruso, que foi retirado da função e deverá ser realocado após um período de férias. Há ainda a possibilidade de desligamentos, segundo relatos de veículos especializados.

A falha também expôs problemas no fluxo de produção. A arte teria sido solicitada na manhã do mesmo dia e finalizada às pressas, praticamente no momento da exibição, sem revisão adequada. A própria apresentadora não participou da elaboração e só teve contato com o conteúdo já no ar — um cenário que contraria práticas tradicionais de checagem em redações consolidadas.

O episódio reforça um ponto sensível no jornalismo contemporâneo: em tempos de disputa acirrada por audiência, a velocidade da informação não pode atropelar a apuração. A liderança inédita da CNN Brasil ocorre, portanto, menos por um movimento isolado de crescimento e mais como consequência direta de uma falha grave da concorrência.

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