A proposta de redução da jornada legal de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais pode gerar um impacto financeiro de R$ 158 bilhões anuais sobre a folha de pagamentos das empresas brasileiras. O cálculo, realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base em dados da RAIS 2024, aponta que o cenário seria ainda mais drástico caso a carga horária caísse para 36 horas, elevando o custo para R$ 610 bilhões.
A entidade alerta que a mudança causaria um choque de custos severo, especialmente para micro, pequenas e médias empresas que já operam com margens apertadas e juros elevados. O setor de serviços seria o mais atingido, com um acréscimo de quase R$ 80 bilhões, seguido pela indústria com R$ 35 bilhões e o varejo com R$ 30,4 bilhões.
Impacto da redução da jornada de trabalho
Atualmente, cerca de 35,7 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 62% da força de trabalho celetista no Brasil, atuam na faixa entre 40 e 44 horas. Em setores como o agronegócio e a construção civil, esse modelo é o padrão para mais de 90% dos vínculos. Tecnicamente, a redução sem o corte proporcional de salários implica em um aumento direto no valor da hora trabalhada.
Por exemplo, um funcionário que recebe R$ 2.200 por 44 horas semanais custa R$ 10 por hora; na jornada de 40 horas, esse valor sobe para R$ 11, uma alta de 10%. Além do aspecto financeiro, a FecomercioSP destaca problemas operacionais, como a dificuldade de organizar escalas em atividades ininterruptas como saúde, logística e comércio.
Possíveis consequências e alternativas
A entidade prevê que, para absorver os gastos, empresas podem reduzir contratações, demitir funcionários mais experientes para contratar mão de obra mais barata, acelerar a automação ou repassar os custos aos preços finais, gerando inflação. Diante disso, a federação defende a modernização da jornada via negociação coletiva e preservação da produtividade.
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