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Brasil no Oscar: da estreia histórica ao recorde em 2026

“O Agente Secreto” traz auge histórico para o Brasil. Foto: Divulgação

O Oscar consagra grandes histórias do cinema e, ao longo das décadas, o Brasil construiu uma presença cada vez mais relevante na premiação. A trajetória começou de forma tímida, mas ganhou força com indicações históricas e conquistas importantes.

Em 2026, o país voltou a chamar atenção ao alcançar seu melhor desempenho na premiação: cinco indicações oficiais. Quatro delas são do filme O Agente Secreto, produção que colocou o cinema brasileiro no centro da disputa internacional.

Ganhou, mas não levou

A primeira vez que um filme com forte presença brasileira venceu o prêmio foi com Orfeu Negro. Ambientado no Rio de Janeiro e falado em português, o longa reúne elenco majoritariamente brasileiro e trilha assinada por nomes como Tom Jobim, Luiz Bonfá, Vinicius de Moraes e Antônio Maria.

O filme venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960, categoria hoje chamada de Melhor Filme Internacional. No entanto, a estatueta foi creditada à França, país responsável pela indicação do longa.

Isso ocorreu porque a principal produtora era a francesa Dispat Films, que tinha participação maior que as coprodutoras italiana e brasileira. Pelas regras da Academy of Motion Picture Arts and Sciences, o país da produtora majoritária é quem inscreve oficialmente o filme na disputa.

Caso semelhante ocorreu com O Beijo da Mulher Aranha (1985), dirigido por Hector Babenco. Apesar da coprodução com o Brasil, a obra foi indicada ao Oscar como representante dos Estados Unidos na categoria de Melhor Filme em 1986.

Primeiros passos oficiais

A participação oficial do Brasil no Oscar começou em 1963 com O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte, indicado a Melhor Filme Estrangeiro.

O longa já havia conquistado a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962, feito inédito para o cinema brasileiro e que ajudou a projetar o país no cenário internacional.

Avanços nas décadas seguintes

Nos anos 1990, o Brasil voltou a aparecer entre os indicados com O Quatrilho (1996) e O Que É Isso, Companheiro? (1998), ambos na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Em 1999, Central do Brasil, dirigido por Walter Salles, emocionou público e crítica. Além da indicação a Melhor Filme Estrangeiro, Fernanda Montenegro concorreu a Melhor Atriz, tornando-se a primeira brasileira indicada na categoria. O prêmio acabou com Gwyneth Paltrow por sua atuação em Shakespeare Apaixonado.

Consolidação internacional

O reconhecimento global se intensificou em 2003 com Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles. O filme recebeu quatro indicações: Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem.

O desempenho consolidou a produção como uma das mais influentes do cinema brasileiro e demonstrou que o país poderia disputar categorias centrais da premiação.

Retomada histórica

Após um período sem indicações nas categorias principais, o Brasil voltou com força em 2025 com Ainda Estou Aqui, novamente dirigido por Walter Salles.

O longa recebeu três indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Torres, e conquistou a primeira estatueta oficial do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional.

O impacto em 2026

O auge dessa trajetória ocorreu em 2026. O Agente Secreto foi indicado a quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Elenco.

Além disso, Adolpho Veloso recebeu indicação a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem. Com isso, o Brasil chegou a cinco nomeações em uma única edição, o melhor resultado já registrado pelo país.

Outras indicações

As indicações brasileiras não são limitadas aos longa-metragens de ficção. Em 1979, o documentário Raoni, sobre o líder indígena brasileiro Raoni Metuktire, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário. O filme era uma produção belgo-franco-brasileira, mas Luiz Carlos Saldanha, que era co-produtor e co-diretor, acabou não figurando entre os indicados.

Em 1990, mais uma indicação na categoria, com o documentário El Salvador: Another Vietnam, que contava com a produtora brasileira Tetê Vasconcellos. Em 2001, Paulo Machline foi indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live-Action com Uma História de Futebol.

Diários de Motocicleta, co-produzido por brasileiros e dirigido por Walter Salles (nome que já se repetiu várias vezes na lista), concorreu em 2005 a Melhor Canção Original e Melhor Roteiro Original. O longa, no entanto, não teve nenhuma indicação relevante para o Brasil.

Lixo Extraordinário, sobre o artista plástico paulista Vik Muniz, concorreu a Melhor Documentário em 2011, mas o codiretor brasileiro João Jardim, mais uma vez, não estava entre os indicados. Já em 2012, Sérgio Mendes e Carlinhos Brown disputaram o prêmio de Melhor Canção Original com a composição Real in Rio para a animação estadunidense Rio.

Em 2015, Juliano Salgado foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Documentário pela coprodução O Sal da Terra, filme sobre o fotógrafo mineiro Sebastião Salgado.

Na edição de 2016 da premiação, O Menino e o Mundo, dirigido por Alê Abreu, concorreu ao prêmio de Melhor Filme de Animação. Já em 2018, Carlos Saldanha voltou à disputa com a animação norte-americana O Touro Ferdinando, também indicada na mesma categoria.

No mesmo ano, a coprodução Me Chame pelo Seu Nome recebeu quatro indicações ao Oscar. No entanto, o brasileiro Rodrigo Teixeira, codiretor do projeto, não apareceu entre os indicados na categoria de Melhor Filme.

Em 2020, Petra Costa e Tiago Pavan foram indicados a Melhor Documentário por Democracia em Vertigem. Dois anos depois, Pedro Kos figurou entre os indicados a Melhor Documentário de Curta-Metragem com o filme norte-americano Onde Eu Moro.

A cerimônia do Oscar 2026 acontece em 15 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles, reunindo os principais nomes da indústria cinematográfica mundial.

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