Em Belém, desde a madrugada do último sábado e presente nos camarotes para ver o segundo jogo decisivo do Campeonato Paraense, foi somente ontem que começou a era Léo Condé no comando do Clube do Remo. O treinador mineiro foi apresentado oficialmente com o discurso de que, com o atual elenco azulino, é possível montar um time competitivo para ser forte na Série A, e já nesta quinta-feira encarar o Fluminense-RJ, no Mangueirão, em jogo válido pela 5ª rodada da competição.
Perguntado sobre questões do elenco neste momento, como o fato dele estar inchado, com mais de 40 jogadores que não tem uma estrutura adequada para treinamento, Condé deixou claro que essa possibilidade existe, mas que pelo pouco tempo à frente do grupo ainda está fazendo avaliações. É possível que de 8 a 10 jogadores deixem o Baenão, inclusive com a possibilidade de novas contratações serem feitas quando for aberta a janela de inscrições, apenas em junho.
Na apresentação, o presidente Antônio Carlos Teixeira comentou sobre a trajetória em 2026 até aqui. Para ele, o Remo não mereceu o título estadual e tem que mudar muita coisa diante de desafios ainda mais complicados. “Nossa campanha não foi digna de sermos campeões. Infelizmente, tivemos altos e baixos e chegamos ao final graças a uma melhor qualidade técnica do nosso plantel. Não conseguimos reverter o resultado do primeiro jogo e quero até pedir desculpa pra nossa torcida, mas temos que olhar pra frente. Não adianta ficar chorando no leite derramado. Vamos procurar corrigir os erros, tirar a lição dessa competição para que a gente possa prosseguir a nossa jornada”.
Junto com o novo comandante chegam os auxiliares técnicos, Renato Negrão e Felipe Surian, e o preparador físico Diego Kami Mura. “Gostaria de expressar minha gratidão pela confiança depositada em mim desde o primeiro contato e pela convicção demonstrada em relação à minha vinda. É motivo de orgulho e satisfação assumir o comando de um clube com tanta tradição, com uma torcida tão apaixonada e com uma responsabilidade tão grande”, comentou Condé, que falou sobre outros assuntos na entrevista coletiva. Confira.
Fora do Re-Pa
“Foi uma semana agitada para todos. Para o clube, que fez a opção pela mudança do treinador. Para mim também, que de certa forma estava passando por uma situação na minha cidade, Juiz de Fora (MG), que estava passando por um momento ruim, e para sair de lá, eu precisava deixar a minha família tranquila para assumir o Remo de corpo e alma. Também tinha umas questões pessoais. Consegui chegar somente na madrugada de sábado. Teve a mudança de treinador, com o Flávio Garcia, auxiliar fixo), junto com a comissão técnica da casa realizando os treinamentos na semana.
Com um dia de treino, eu não ia saber o nome de todo mundo, claro que conheço alguns, já trabalhei ou enfrentei, mas ia ser um choque de gestão muito grande. Mandei meus auxiliares virem antes para fazer um diagnóstico do clube, dos atletas. A partir de agora que vamos ter o treinamento com os atletas que não jogaram, e a partir de quinta-feira, colocar o máximo possível de ideia que nós temos”.
Novo time
“É uma equipe em processo de construção, reformulação. Não será da noite para o dia que vamos achar a melhor estruturação como equipe. Cabe à gente, com o pouco tempo de treinamento entre um jogo e outro, passar nossas ideias e estruturar a equipe. Acho que podemos, sim, fazer uma competição estruturada. Primeiramente, achar uma equipe base, fazer com que ela seja competitiva o quanto antes. Não adianta ter boas peças individuais se não tiver unidade como equipe, esse é o principal ponto. A gente sabe, o grau de dificuldade é muito elevado, principalmente quando a gente sai daqui para jogar. Então, a partir de quinta-feira, a gente já tem que criar esse ambiente altamente favorável”.
Elenco inchado
“É outro ponto que estamos debatendo (enxugar o elenco) desde que eu cheguei, dentro do diagnóstico que fizemos do elenco. Tem algumas posições que temos uma certa carência, e que o clube já está buscando, e em algumas outras tem um certo inchaço. De uma certa forma, já estamos debatendo. Não tenho número mágico, mas tenho, sim, uma ideia daquilo que preciso no elenco, até para que possamos otimizar o elenco no dia a dia, nos trabalhos, e que todos se sintam fazendo parte do plantel do Remo. No momento certo, a direção vai estar repassando, se tiver que negociar, emprestar, ou qualquer tipo de rescisão”.
Desmotivação no Parazão
“Eu não vou falar de algo, de situação, na qual eu não estava, mas com certeza de agora em diante toda sessão de treinamento, todo jogo tem que ser encarado com o máximo de seriedade. O clube que tem a torcida do tamanho que tem, o jogador tem que entrar em qualquer competição e respeitar a instituição. Eles estão recebendo, ninguém está fazendo favor, eles têm que deixar o melhor em qualquer situação. Independente dos atletas que vamos colocar, seja Campeonato Brasileiro, Copa Norte ou Copa do Brasil, tem que fazer de cada jogo uma verdadeira final. No Brasileiro, cada ponto, para ser conquistado, o grau de dificuldade é muito grande, tem que se entregar ao máximo dentro de campo, é isso que vamos transmitir aos jogadores”.
Momento difícil
“O Remo é o 18º clube no qual eu trabalho, então eu já passei por inúmeras situações dentro do futebol. Foram situações que a gente chegou a assumir clubes vindo de momentos não tão bons, que é natural quando você tem a mudança. E não adianta ficar lamentando, é claro que estão todos chateados, tristes, mas a gente tem que olhar para frente. E realmente, o Campeonato Brasileiro, como eu pontuei, os jogos em casa são determinantes de fazer o dever de casa, independente de qualquer adversário. Gosto de uma equipe equilibrada, tanto do ponto de vista ofensivo, quanto defensivo, saber os momentos do jogo no qual nós vamos pressionar mais o adversário. Vamos estudar muito os adversários e eu vejo capacidade, principalmente jogando aqui dentro de casa.
Espero que a gente possa conseguir já um resultado positivo na quinta-feira, contra essa boa equipe do Fluminense, que foi uma das equipes que mais cresceu o ano passado na reta final do Campeonato Brasileiro. E depois vamos sair para dois jogos dificílimos. Coritiba-PR sempre forte jogando no Couto Pereira, e o Flamengo-RJ não precisa nem falar, e depois a gente fecha essa sequência contra o Bahia-BA, antes de começar a Copa Norte”.
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