O mercado de trabalho brasileiro passou a valorizar cada vez mais profissionais que conseguem combinar conhecimentos técnicos com habilidades comportamentais. Uma pesquisa de tendências para 2026 divulgada pela plataforma de empregos Catho identificou as dez competências mais importantes para processos seletivos em micro, pequenas e médias empresas, que juntas foram responsáveis por 80,5% dos empregos gerados no país em 2025.
O levantamento aponta cinco habilidades técnicas, conhecidas como hard skills, e cinco comportamentais, chamadas de soft skills, consideradas essenciais para quem deseja aumentar as chances de contratação.
Entre as habilidades técnicas, a Inteligência Artificial aparece em primeiro lugar, citada por 47,9% das empresas. Em seguida vêm raciocínio lógico e analítico, com 39,5%, análise de dados e business intelligence, com 32,2%, automação de processos, com 31%, e domínio do pacote Office, incluindo ferramentas como Excel, PowerPoint e Word, com 25,7%.
Já no campo das habilidades comportamentais, a inteligência emocional lidera com ampla vantagem, mencionada por 61,7% das empresas. Na sequência aparecem pensamento crítico e resolução de problemas, com 54,5%, adaptabilidade e flexibilidade, com 46,7%, criatividade e inovação, com 41,6%, e comunicação eficaz, com 38,2%.
Segundo Carolina Tzanno, gerente de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, empresa responsável pela Catho, essas competências ganham ainda mais peso em estruturas empresariais enxutas, onde cada contratação impacta diretamente a produtividade e os custos.
A importância das habilidades técnicas e comportamentais
Ela explica que as habilidades técnicas ajudam a otimizar tempo, reduzir retrabalho e apoiar decisões mais estratégicas dentro das empresas. Ao mesmo tempo, as habilidades comportamentais se tornam ainda mais relevantes em ambientes onde mudanças são frequentes e os profissionais precisam demonstrar autonomia e maturidade para lidar com novos desafios.
De acordo com especialistas, as hard skills podem ser desenvolvidas por meio de cursos, muitos deles disponíveis de forma gratuita e on-line. No entanto, o aprendizado se fortalece quando o profissional aplica esses conhecimentos em situações reais de trabalho ou projetos práticos.
Já no caso das soft skills, apesar de existirem cursos e materiais de estudo sobre o tema, a experiência cotidiana costuma ser o principal caminho para desenvolvê-las. Trabalhos em equipe, participação em projetos multidisciplinares e situações que exigem tomada de decisão ajudam a fortalecer competências comportamentais.
Para quem ainda está iniciando a trajetória profissional, as habilidades podem começar a ser desenvolvidas em ambientes como a escola, a universidade ou em atividades voluntárias.
Desenvolvimento de habilidades no ambiente acadêmico e profissional
Segundo Priscila Magalhães Eleutério, gerente de recrutamento e seleção da Randstad Brasil, projetos acadêmicos, trabalhos em grupo e iniciativas pessoais são oportunidades importantes para exercitar competências como comunicação, colaboração e resolução de problemas. O estudo também destaca que as empresas têm assumido um papel cada vez maior na capacitação contínua de suas equipes.
Pequenas e médias empresas podem adotar iniciativas simples para estimular o aprendizado dos funcionários, como reuniões periódicas para compartilhar conhecimentos sobre ferramentas digitais, análise de dados ou tendências de mercado. Programas de mentoria interna também ajudam profissionais mais experientes a orientar colegas em desenvolvimento.
Além disso, organizações podem oferecer acesso a plataformas de cursos digitais e flexibilizar horários para que colaboradores consigam conciliar trabalho e estudo. Conhecer quais habilidades estão em alta pode ajudar profissionais a planejar melhor a carreira e buscar qualificações que aumentem a empregabilidade.
Como destacar suas habilidades em processos seletivos
Assumir o protagonismo no próprio desenvolvimento e manter uma atualização constante são fatores que fazem diferença em um mercado cada vez mais competitivo. Na hora de participar de processos seletivos, também é fundamental saber apresentar essas competências. O currículo deve destacar claramente as habilidades técnicas dominadas, como uso de inteligência artificial ou Excel avançado, e apresentar exemplos concretos de como esses conhecimentos foram aplicados para gerar resultados.
Experiências que envolvam análise de dados para tomada de decisões, participação em projetos de inovação ou melhorias de processos ajudam a demonstrar competências valorizadas pelas empresas. Da mesma forma, situações que evidenciem habilidades comportamentais, como trabalho em equipe, adaptação a mudanças ou resolução de problemas, podem fortalecer a candidatura.
Em entrevistas, recrutadores costumam avaliar especialmente as soft skills por meio de perguntas situacionais, nas quais o candidato precisa relatar experiências práticas em que demonstrou determinadas competências. Por isso, a recomendação é para que profissionais preparem exemplos concretos de situações em que desenvolveram essas habilidades ao longo da trajetória acadêmica ou profissional.
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