A escalada do conflito no Oriente Médio, após o ataque entre as forças de Israel, Irã e Estados Unidos, liga o alerta para um possível aumento no preço da gasolina comercializada no Brasil.
A região é considerada fundamental para o mercado de energia, e qualquer instabilidade por lá costuma mexer com o preço do barril de petróleo em todo o mundo.
O consumidor deve entender que o preço que pagamos nas bombas depende, em grande parte, do valor internacional do petróleo (o chamado barril tipo Brent) e do valor do dólar.
Estreito de Ormuz
Como o Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, o mercado já começou a agir por medo de que o produto falte, o que faz os preços subirem imediatamente.
Segundo Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, ouvido pela CNN, o impacto dessa crise pode chegar aos brasileiros principalmente por meio do diesel.
Ele explica que “se o Brent subir e permanecer alto, o custo de reposição aumenta. Isso pode encarecer diesel, frete e alimentos, além de pressionar a inflação”.
No caso da gasolina, especialistas como Pedro Côrtes, da USP, lembram que o etanol funciona como um “amortecedor” no Brasil, o que pode ajudar a segurar um pouco o tamanho de um eventual reajuste nas bombas.
Risco antecipado
Ao Terra, Daniel Toledo, especialista em negócios internacionais e geopolítica, disse que o preço sobe agora por causa da antecipação de risco. Segundo ele, o mercado não espera a escassez acontecer.
“O mercado precifica a possibilidade. Se existe risco de interrupção em uma região que concentra parcela relevante da produção e da logística mundial, os preços sobem imediatamente”, explica Toledo.
Já Karine Fragoso, da Firjan, destaca que o tamanho do impacto depende de quanto tempo a briga vai durar. “Quanto mais tempo o mercado permanecer restrito, mais oferta sai e maiores serão os impactos”.
Dólar
Por outro lado, a guerra faz investidores buscarem segurança, o que valoriza o dólar. Como o petróleo é negociado na moeda americana, isso encarece a importação de combustíveis feita pela Petrobras.
Mário Oliveira Filho, especialista em energia, acalma os ânimos ao dizer que, se o conflito for curto (uma ou duas semanas), o impacto na inflação pode ser limitado, já que a Petrobras não segue mais cegamente o preço internacional todo dia.
No final de janeiro, a Petrobras anunciou uma redução de 5,2% no preço da gasolina vendida para as distribuidoras. Essa queda representou um alívio de R$ 0,14 por litro nas refinarias, ajudando a segurar a inflação no início deste ano.
Com informações da CNN e Terra
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