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domingo, março 8, 2026

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Tatiana Sampaio: saiba quem é a mente por trás da polilaminina

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Tatiana Sampaio: quem é a mente por trás da polilaminina. Foto: Nadja Kouchi | Acervo TV Cultura

Tatiana Coelho de Sampaio, de 59 anos, é a mente por trás da polilaminina, um avanço que colocou o Brasil na fronteira da medicina regenerativa. É graduada, mestre e doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Tatiana atua como professora da instituição desde os 27 anos. Sua formação inclui estágios de pós-doutorado em imunoquímica e inibidores de angiogênese nos Estados Unidos e na Alemanha, tornando-a uma das maiores especialistas em proteínas da matriz extracelular.

Atualmente, ela chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e é sócia-consultora da Cellen, voltada para células-tronco veterinárias. 

Apaixonada pela ciência desde a infância, Tatiana vive hoje uma realidade atípica: a de uma pesquisadora discreta que se tornou celebridade nacional, sendo inclusive homenageada com murais de arte urbana.

Em entrevista ao programa Roda Viva, ela confessou o desconforto com a nova rotina: “Eu entro no banheiro, quando eu saio, tem duas pessoas me esperando. Isso é desconfortável”, revelando que, às vezes, passa o dia respondendo mensagens.

Três décadas de pesquisa

A jornada com a polilaminina começou em 1998, fruto de quase 30 anos de investigação científica. O conceito fundamental da pesquisa é a biomimética: na natureza, os axônios (prolongamentos dos neurônios) crescem sobre “pistas” de uma proteína chamada laminina. Quando ocorre uma lesão medular, essa pista desaparece. 

Em entrevista ao Fantástico, Tatiana explicou a lógica da descoberta: “Como que faz para o axônio crescer na vida real? Ele cresce em cima de uma pista de laminina. Quando tem uma lesão, tem pista de laminina? Não. E se a gente der a pista? Ah, ele volta a crescer”.

A polilaminina é, portanto, uma versão polimerizada (em rede) dessa proteína, capaz de reconectar as comunicações entre o cérebro e o corpo.

Resultados promissores

Os testes em humanos, realizados em caráter acadêmico, apresentaram números promissores: enquanto a literatura médica aponta que apenas 10% dos pacientes com lesão medular completa recuperam alguma função motora, o estudo de Tatiana registrou 75% de recuperação.

Diogo Brollo, que sofreu um rompimento total da medula após uma queda, relatou ao Fantástico o momento em que voltou a sentir o corpo: “Alguma coisa falou: mexe o pé. Então, eu comecei a mandar o comando para o pé direito e foi o momento que eu vi fazendo assim… o pé inteiro. Foi um momento de muita emoção“.

Além dele, o paciente Bruno de Freitas descreveu sua recuperação como “espetacular”, sendo hoje 100% independente, capaz de dirigir e cozinhar, após uma lesão completa em 2018.

“Não é milagre, é ciência”

Apesar das boas notícias, a pesquisadora mantém os pés no chão. “Eu acho que descobrir a cura é muito forte… nós temos uma substância que até agora tem se mostrado muito promissora”, disse Tatiana Coelho de Sampaio ao Roda Viva. Ela também destacou que a polilaminina não age sozinha, exigindo fisioterapia intensiva para “ensinar” o corpo a usar as novas conexões.

À Veja, Tatiana e outros especialistas alertaram que o medicamento ainda é experimental e que os dados precisam de validação em ensaios clínicos de larga escala. Um dos grandes desafios atuais é a judicialização, com mais de 20 pedidos de uso compassivo que, segundo ela, podem “tumultuar” o ambiente de pesquisa.

Polilaminina no Brasil

A Anvisa autorizou o início dos ensaios clínicos oficiais (Fase 1) para avaliar a segurança do fármaco em pacientes com lesões agudas (ocorridas em até 72 horas). A pesquisa conta com uma parceria com o laboratório Cristália, que financia o projeto e se compromete a viabilizar a distribuição pelo SUS. 

Embora a patente internacional tenha sido perdida por falta de recursos da universidade, Tatiana vê um lado positivo: “Eu diria que foi melhor assim porque agora a gente vai produzir no brasil e vai ser uma coisa brasileira”, afirmou ao Roda Viva, reforçando que a independência tecnológica evitaria que o medicamento fosse vendido a preços exorbitantes por multinacionais.

Veja a entrevista no Roda Viva:

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