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quarta-feira, março 11, 2026

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Foguetes caseiros e pancadaria: Arnaldo conta como era apitar Re-Pa na Curuzu

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“Bem sem vergonha”: O dia em que Arnaldo Cezar Coelho foi flagrado enviando elogios para si mesmo após o Re-Pa

Em uma entrevista descontraída ao canal do jornalista Duda Garbi, o ex-árbitro e comentarista Arnaldo Cezar Coelho de 83 anos, resgatou histórias memoráveis de sua carreira, incluindo uma passagem icônica por Belém para apitar o maior clássico da Amazônia: Paysandu e Remo. O palco foi o estádio da Curuzu, e o relato envolve desde foguetes de papel higiênico até uma estratégia inusitada de “marketing pessoal” para impressionar a antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos), hoje Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O relato é hilário.

Clima de guerra e foguetes caseiros

Arnaldo descreveu o ambiente hostil e caótico da época. Segundo o ex-árbitro, os juízes já saíam trocados do hotel e precisavam enfrentar a multidão para chegar ao gramado. “O juiz mudava de roupa no hotel, ia pro estádio de roupa, entrava num táxi, passava no meio da arquibancada para entrar no gramado”, relembrou.

A criatividade da torcida para a “guerra” nas arquibancadas também chamou a atenção: “A torcida de um lado jogava foguetes na torcida do outro e o foguete era feito em casa com rolo de papel higiênico”.

O jogo do “empate amigo”

Dentro de campo, o clima não era diferente. Arnaldo definiu o confronto como uma “pancadaria”. No entanto, conforme o tempo passava, o empate em 1 a 1 pareceu satisfazer ambos os lados. “Faltando 15 minutos tava 1 a um, ninguém mais queria nada com o jogo. Eu digo: ‘Ah, esse jogo não vai sair do 1 a 1 não’. Os caras não querem nem entrar na área, pô, tá tudo satisfeito com 1 a 1”, contou ele, que nasceu no Rio de Janeio, mas é filho de paraenses.

Ao apito final, houve invasão de campo e festa, mas Arnaldo conseguiu sair ileso, pegou um táxi e voltou para o hotel.

A jogada de mestre: O telegrama de “Zé da Silva”

Temendo que sua boa atuação no Norte não repercutisse no Rio de Janeiro, Arnaldo decidiu “dar uma mãozinha” para o seu destino profissional. Antes de deixar Belém, ele foi até uma agência dos Correios e enviou dois telegramas idênticos para os chefes da comissão de arbitragem da CBD e da federação local.

As mensagens, assinadas por um fictício “Zé da Silva”, diziam: “Parabéns indicação do jovem árbitro Arnaldo que apitou muito bem o nosso clássico Remo e Paissandu. Vai ser um sucesso a carreira desse rapaz”.

O plano funcionou. Ao retornar ao Rio, Arnaldo foi recebido com elogios pelos diretores, que acreditaram ter recebido recomendações espontâneas de “grandes amigos” do Pará. Ele chegou a levar saquinhos de chocolate para os chefes enquanto ouvia os elogios. “O Fredo Covelho (diretor de arbitragem da época) falou assim: ‘Arnaldo, o senhor apitou muito bem, recebi um telegrama de um grande amigo meu dizendo que você apitou muito bem. Parabéns, vou te mandar em outros jogos’”, revelou entre risos.

A farsa só foi notada por um secretário atento da federação, que disparou: “Você é bem sem vergonha, hein? Já tá passando telegrama para você mesmo se elogiando”.

Confira a entrevista abaixo. O relato sobre o Re-Pa ocorre a partir de 1h01.

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