A Amazônia volta ao centro do debate ambiental brasileiro com novos dados que apontam queda significativa nos alertas de desmatamento. Informações divulgadas nesta quinta-feira (12) pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam que, entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, a Amazônia Legal registrou 1.324 km² sob alerta de supressão vegetal — uma redução de 35% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando o índice chegou a 2.050 km².
O resultado reforça a tendência de desaceleração do desmatamento no maior bioma do planeta, estratégico para o equilíbrio climático global e para estados amazônicos como o Pará, que concentra uma das maiores extensões de floresta do país e historicamente figura entre os estados com maior pressão por desmatamento. Embora os dados divulgados nesta etapa sejam consolidados por bioma, o Pará integra a área monitorada da Amazônia Legal e está diretamente inserido nesse recuo dos alertas.
Além da redução no corte raso, os indicadores de degradação florestal na Amazônia apresentaram queda ainda mais expressiva: de 44.555 km² no ciclo anterior para 2.923 km² no período atual — uma diminuição de 93%. A degradação inclui danos provocados por queimadas e exploração seletiva de madeira, que fragilizam a floresta antes mesmo da derrubada completa.
Os números foram apresentados após a 6ª reunião da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento, realizada no Palácio do Planalto. O colegiado, reativado em 2023, reúne 19 ministérios sob coordenação da Casa Civil e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
O Deter, sistema de alertas diários criado para subsidiar ações de fiscalização, funciona como instrumento de resposta rápida. Ele é diferente do Prodes, também do Inpe, que consolida a taxa oficial anual de desmatamento. De acordo com o Prodes, em 2025 — na comparação com 2022 — o desmatamento caiu 50% na Amazônia e 32,3% no Cerrado.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que o país pode atingir um marco histórico. “Há uma expectativa de chegarmos, em 2026, à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia se continuarmos com esses esforços”, declarou.
Segundo o governo federal, a redução está associada à retomada da governança ambiental, ao fortalecimento da fiscalização e à implementação dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) em todos os biomas. Órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ampliaram as operações com apoio do Inpe, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Funai.
Em relação a 2022, o Ibama aumentou em 59% o número de ações de fiscalização e o ICMBio em 24%. As áreas embargadas cresceram 51% e 44%, respectivamente. Na Amazônia, as operações de fiscalização avançaram quase 148% no período analisado, com o número de ocorrências passando de 932 para 1.754. As apreensões também cresceram: a retenção de minérios subiu mais de 170% e as apreensões de madeira aumentaram 65%.
Outro dado relevante envolve os 70 municípios prioritários do programa União com Municípios, voltado ao controle do desmatamento e incêndios florestais. Entre 2022 e 2025, houve queda de 65,5% no desmatamento nessas localidades — muitas delas situadas na Amazônia e com forte presença no território paraense.
A estratégia federal também inclui a destinação de 15 milhões de hectares de florestas públicas federais até 2026, com emissão de Contratos de Direito Real de Uso para Povos e Comunidades Tradicionais. A meta é beneficiar 300 comunidades, medida considerada essencial para consolidar a presença do Estado em áreas vulneráveis à grilagem.
O Fundo Amazônia, reativado a partir de 2023, também ganhou novo impulso. Nos últimos três anos, foram mobilizados R$ 3,642 bilhões em investimentos, com ampliação do número de doadores internacionais, que passou de dois para nove países. Em 2025, foram aprovados R$ 850 milhões especificamente para fortalecer ações de fiscalização ambiental na Amazônia.
Enquanto a Amazônia registra recuo nos alertas, o Cerrado apresentou redução mais modesta, de 6% no mesmo período. Já o Pantanal teve aumento de 45,5% na comparação com o ciclo anterior, embora registre queda de 65,2% quando comparado ao período de 2023-2024.
Os dados reforçam o compromisso assumido pelo Brasil de zerar o desmatamento até 2030. Para estados amazônicos como o Pará, onde floresta e economia caminham lado a lado, os números sinalizam que é possível avançar na proteção ambiental sem comprometer o crescimento do agronegócio — que segue em expansão e abertura de mercados internacionais, segundo o governo federal. Preservar a floresta amazônica não é apenas uma meta ambiental; é estratégia econômica, social e climática para o presente e para as próximas gerações.
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