O Paysandu entrou em campo no Re-Pa carregando muito mais do que um plano tático. Carregava um discurso que vem sendo repetido desde o início da temporada pela nova diretoria: o clube vive um processo de reconstrução, com orçamento curto, elenco enxuto e aposta clara na base. Dentro desse cenário, a cobrança interna nunca foi por futebol exuberante ou resultados imediatos, mas por algo que não pode faltar: vontade, determinação e respeito à camisa. E foi exatamente isso que o Papão entregou no Mangueirão.
Desde o apito inicial, o Papão correu mais, disputou cada palmo do gramado e contrariou a expectativa de um domínio amplo do Remo, montado com investimento maior e status de Série A. O primeiro tempo foi bicolor em intensidade, organização e atitude. Mesmo quando o jogo ficou mais áspero, o time não se escondeu. Inclusive, Brian, aos 17 anos, simbolizou esse espírito. Volante incansável, foi dono do meio-campo, abafou a saída azulina e mostrou personalidade de veterano. A expulsão, dura e pedagógica, não apaga a grande atuação de quem ainda está no início da caminhada.
Com um jogador a menos desde o fim da primeira etapa, o Lobo precisou mudar o roteiro. Afinal, as linhas baixaram, o desgaste apareceu, mas a entrega seguiu intacta. Henrico correu até onde deu, Castro virou volante e liderou pelo exemplo, Ítalo e Marcinho lutaram contra o cansaço. Mas não houve corpo mole, não houve desistência. Houve sacrifício coletivo. Enfim, o empate deixou a sensação de que o resultado poderia ter sido melhor. Mas também reforçou a identidade que o clube tenta resgatar.
Júnior Rocha exalta trabalho no dia a dia
Após a partida, o técnico Júnior Rocha traduziu em palavras o que o campo mostrou. Para ele, o trabalho diário fala mais alto do que discursos externos. ‘’Entendo que, de fora, é normal achar que um time de Série A vai vencer um de Série C. Mas nós, internamente, sabemos do potencial do nosso elenco e do nosso dia a dia, que é muito forte’’, afirmou. Além disso, o treinador destacou a organização do clube e a sintonia com a nova gestão, lembrando que a reconstrução exige paciência e coerência.
Júnior também foi direto ao explicar o perfil buscado pelo Papão neste momento. ‘’Prefiro trabalhar com meninos da base, que são sonhadores, que querem vencer na vida. Não gosto de jogador cansado de ser cobrado. Aqui, quem veste essa camisa tem que pensar, jogar e marcar’’, disse, reforçando que a limitação financeira virou critério de escolha, não desculpa. ‘’É melhor dar oportunidade a quem se dedica do que gastar errado’’, completou.
Por fim, sobre Brian, o treinador foi firme e protetor. Reconheceu o erro, mas valorizou o processo. ‘’Ele tem potencial, vai aprender. Isso faz parte da evolução’’, afirmou Rocha.
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