Um padre foi denunciado por suposta prática de transfobia após declarações feitas durante uma missa celebrada no último domingo (1º), no município de Quixadá, no interior do Ceará. A denúncia foi apresentada pela Associação Cearense de Diversidade e Inclusão (Acedi) ao Ministério Público, e o caso passou a ser apurado pela Polícia Civil.
Segundo a entidade, as falas atribuídas ao padre Francisco Wilson ocorreram durante a homilia e incluíram críticas a debates sobre identidade de gênero. Entre os trechos destacados na denúncia, o religioso teria afirmado que “homem é homem e mulher é mulher”, além de condenar o que classificou como “ideologia de gênero”, mencionando que o tema estaria sendo ensinado a crianças em escolas. A Acedi também apontou críticas feitas pelo padre a lideranças religiosas que apoiam direitos da população LGBT.
A Diocese de Quixadá informou, por meio de seu advogado, Romero Lemos, que recebeu apenas um trecho isolado da homilia e que, diante disso, determinou a convocação do sacerdote para prestar esclarecimentos sobre o conteúdo integral da pregação e o contexto em que as declarações foram feitas. Segundo a diocese, após essa avaliação pela Diocese de Quixadá, deverá ser emitida uma nota oficial sobre o caso, a fim de evitar medidas precipitadas.
Investigação e Repercussão do Caso
Em nota, a Polícia Civil informou que investiga as circunstâncias de um possível crime por conduta transfóbica, registrado no dia 1º de fevereiro, em Quixadá. A corporação destacou a importância de que eventuais vítimas compareçam à unidade policial para prestar informações adicionais. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Polícia Civil do município.
O Ministério Público, por sua vez, comunicou que, por meio da 8ª Promotoria de Justiça de Quixadá, aguarda a conclusão do inquérito policial para se manifestar oficialmente sobre o caso.
Na denúncia encaminhada ao MP, a Associação Cearense de Diversidade e Inclusão (Acedi) argumenta que as manifestações atribuídas ao padre, em tese, ultrapassaram os limites da liberdade religiosa e de expressão, podendo configurar discurso discriminatório contra pessoas transgêneras. A entidade afirma ainda que, mesmo em contexto religioso, falas que negam identidades ou reforçam estigmas podem contribuir para a naturalização do preconceito, da exclusão social e da violência.
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