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Como foi a madrugada que levou Bolsonaro da tornozeleira à prisão preventiva

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Brasília (DF), 22/11/2025 – Manifestação em frente a sede da Polícia Federal após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A violação da tornozeleira eletrônica instalada em Jair Bolsonaro na noite de sexta, 21, e madrugada deste sábado, desencadeou uma reação imediata das autoridades e levou Alexandre de Moraes a decretar a prisão preventiva do ex-presidente ainda de madrugada. Segundo relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, anexado ao processo e divulgado neste sábado, 22, o equipamento apresentava “sinais claros e importantes de avaria”, com queimaduras ao redor de toda a circunferência e danos na área de fechamento do case. No procedimento de verificação, Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir o dispositivo e afirmou que começou a mexer no aparelho no fim da tarde de sexta. A própria secretaria anexou ao relatório um vídeo em que o ex-presidente confirma ter utilizado o ferro de solda.

O alarme da tornozeleira eletrônica disparou às 0h07, horário em que a equipe de segurança responsável por Bolsonaro foi acionada. A escolta confirmou a violação da tornozeleira e substituiu o equipamento às 1h09, pouco antes de a Polícia Federal comunicar o episódio ao ministro Alexandre de Moraes. Ao analisar o caso, Moraes concluiu que havia risco de fuga e de obstrução da Justiça, destacando que a violação da tornozeleira ocorreu no momento em que apoiadores — convocados publicamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — começavam a se mobilizar em frente ao condomínio do ex-presidente. Por volta de 2h da manhã, Moraes determinou que o ex-presidente, que estava em prisão domiciliar, fosse levado preso preventivamente para uma cela na Superintendência da PF

Risco de Fuga e Implicações da Medida Cautelar

Na decisão, Moraes também observa que o local onde Bolsonaro cumpria a medida cautelar ficava a aproximadamente 15 minutos de carro da Embaixada dos Estados Unidos, o que, segundo o ministro, ampliava o risco de fuga. Além disso, o magistrado citou elementos presentes no processo que apontam para planos anteriores de fuga envolvendo abrigo diplomático, mencionando, entre eles, a apuração de uma tentativa de deslocamento para a Embaixada da Argentina.

Diante da confirmação da violação da tornozeleira, do histórico recente analisado pela investigação e do contexto de mobilização política nas imediações do condomínio, Moraes determinou a prisão preventiva ainda na madrugada. A ordem foi cumprida pela Polícia Federal em Brasília e anunciada oficialmente horas depois.

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