O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a consultoria Systemiq, e com apoio do UK PACT (UK Partnering for Accelerated Climate Transitions), promoveu na última quarta-feira (19) um encontro que reuniu especialistas, pesquisadores, representantes de órgãos públicos, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias. O objetivo foi debater o papel das concessões florestais no enfrentamento ao desmatamento e na promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia.
A iniciativa integrou a programação paralela da COP30, realizada em Belém, e ampliou o diálogo sobre modelos de manejo capazes de unir conservação ambiental, geração de renda, rastreabilidade e fortalecimento da bioeconomia regional.
Estudo revela impacto das concessões florestais na Amazônia
Durante o evento, foi lançado o estudo “Concessões Florestais Federais na Amazônia Legal: Avanços socioeconômicos e ambientais em quase 20 anos de política pública”, produzido pelo Imaflora, SFB e Systemiq, com apoio do UK PACT.
O levantamento analisou dados administrativos, geoespaciais e operacionais de oito Florestas Nacionais (Flonas), que somam 3,57 milhões de hectares, dos quais 1,25 milhão estão sob concessão para manejo florestal sustentável. A pesquisa também comparou indicadores socioeconômicos em um painel de 772 municípios.
Principais resultados:
- Desmatamento limitado a apenas 2% do território das Flonas com concessão entre 1988 e 2024;
- 92% do desmatamento ocorreu fora das áreas efetivamente concedidas;
- R$ 240,4 milhões arrecadados pelo poder público entre 2010 e 2025, com pico de R$ 40,5 milhões em 2024;
- R$ 62 milhões repassados diretamente a estados e municípios concedentes;
- Crescimento de 62% no nível de emprego e de 27% na massa salarial nos municípios com concessões ativas;
- 4.848 empregos diretos e indiretos gerados apenas em 2023;
- 2,5 milhões de m³ de madeira legal e rastreável colocados no mercado desde 2010 — quatro vezes mais do que em áreas sem concessão;
- R$ 6,26 milhões arrecadados pelo Indicador Social, com R$ 4,91 milhões aplicados em melhorias para comunidades que vivem em áreas de Flonas concessionadas.
Como exemplo, o município de Terra Santa (PA) utilizou R$ 294 mil para estruturar sua Secretaria de Meio Ambiente e Mineração.
Para o diretor de Florestas e Restauração do Imaflora, Leonardo Sobral, o estudo comprova o potencial do modelo:
“As concessões são um exemplo da agenda de implementação. Mostram como gestão pública eficiente e investimento sustentável impulsionam a transição para uma economia de baixo carbono, reunindo conservação, geração de emprego e dinamização da bioeconomia”, afirmou.
O diretor de Concessões Florestais do SFB, Renato Rosenberg, reforçou que o Brasil tem oportunidade de liderança climática:
“As concessões são uma solução baseada na natureza. O desafio agora é expandir o modelo e atrair investimentos para ampliar emprego, renda e conservação.”
Ele destacou ainda a importância de estimular o processamento da madeira nos municípios-sede para aumentar a diversificação produtiva e fortalecer a arrecadação local.
Participantes e Operações
Após a apresentação do estudo, os participantes realizaram uma visita técnica à Ebata Produtos Florestais, em Icoaraci. A comitiva acompanhou todas as etapas, desde a chegada da madeira oriunda das áreas de concessão até os processos de serragem, secagem, classificação e fabricação.
O objetivo foi demonstrar como o manejo florestal sustentável se traduz em geração de emprego, rastreabilidade, agregação de valor e conservação da floresta.
O diretor da Ebata, Leônidas Dahás Jorge de Souza, pontuou que a expansão do mercado de créditos de carbono não pode substituir o manejo produtivo:
“Parece que todo o foco está indo apenas para o crédito de carbono, como se só isso importasse. Mas não existe mercado consolidado o suficiente para sustentar essa lógica”, afirmou.
Ele alertou para o impacto econômico de substituir o manejo:
“Se eu parar de produzir, não são só os 320 funcionários da Ebata que serão afetados, mas toda a cadeia regional. O manejo protege a floresta e gera trabalho. Ele precisa estar no centro da discussão.”
Rosenberg, do SFB, reforçou o papel das compras públicas sustentáveis:
“Critérios de sustentabilidade em editais, como certificações FSC e estudos de ciclo de vida, demonstram que a madeira de manejo tem pegada de carbono muito menor que alternativas convencionais.”
Confira as imagens:
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