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quinta-feira, março 12, 2026

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UFPA cria combustíveis verdes a partir de resíduos amazônicos e cannabis

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A petroquímica verde desponta como uma alternativa real à indústria baseada em petróleo fóssil. Na Universidade Federal do Pará (UFPA), esse futuro já começou: pesquisadores desenvolveram um processo capaz de transformar resíduos vegetais amazônicos em combustíveis e derivados, como gasolina, querosene, diesel, asfalto e carvão ativado. O avanço científico, apresentado na COP30, usa como matéria-prima caroços de açaí, tucumã, palma, cacau e outras biomassas descartadas pelas cadeias agroindustriais.

As pesquisas são conduzidas pelo Laboratório de Engenharia de Processos de Conversão de Biomassa e Resíduos, no Instituto de Tecnologia da UFPA, liderado pelo engenheiro químico Nélio Teixeira Machado. A equipe reúne professores, pós-doutores, doutorandos, mestrandos e bolsistas de iniciação científica em um dos grupos mais consolidados do país na área de bioenergia.

Segundo Machado, qualquer biomassa vegetal que contenha carbono e hidrogênio pode ser convertida termicamente. Ele explica que o processo termoquímico gera gases, combustíveis e hidrocarbonetos com qualidade semelhante aos derivados do petróleo, mas com menor impacto ambiental. A lignina — componente estrutural das plantas — é o elemento-chave que viabiliza a transformação.

Processo de conversão da biomassa

O método envolve etapas de pré-tratamento, secagem, moagem e ativação química. Após a pirólise, o resíduo vegetal se converte em biogás rico em metano e propano, bio-óleo destinado à produção de biogasolina, bioquerosene e biodiesel, além de biocarvão poroso usado na fabricação de filtros para tratamento de água em comunidades isoladas.

Cannabis é uma das biomassas testadas

Uma das surpresas recentes é a inclusão da cannabis sativa entre as biomassas testadas. O laboratório desenvolve, em parceria com a Polícia Federal e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), processos que transformam a droga apreendida — hoje incinerada com alto custo logístico — em combustíveis verdes. A cannabis apresenta elevado teor de lignina, característica que lhe confere potencial para gerar gasolina de aviação, querosene sustentável e até grafeno.

O pesquisador destaca que o aproveitamento energético da cannabis reduz gastos públicos com incineração, diminui emissões de poluentes e converte um passivo criminal em produtos de alto valor agregado. Os experimentos já ocorrem há um ano e meio em um laboratório montado dentro da PF.

A equipe da UFPA também trabalha na produção de hidrogênio verde e novos combustíveis avançados, integrando a bioeconomia amazônica a tecnologias estratégicas para a transição energética global.

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