Lucas Quirino/DOL – Em uma coletiva marcada por alertas contundentes e apelos diretos aos negociadores, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou nesta quinta-feira (20), em coletiva de imprensa na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que o planeta “está doente” e que os impactos climáticos extremos já estão sendo sentidos “em todos os cantos do mundo”. Durante o discurso, o líder internacional também reforçou que a janela para limitar o aquecimento global a 1,5°C “está se fechando rapidamente”.
Guterres elogiou o papel da presidência brasileira da COP30, destacando o esforço do país para manter diálogo com diversas partes interessadas, incluindo povos indígenas, sociedade civil, juventudes e representantes de diferentes setores. Segundo ele, “a liderança brasileira tem sido fundamental em um momento em que o mundo precisa desesperadamente de cooperação e coragem”.
O secretário-geral afirmou que, para milhões de pessoas, especialmente nos países mais vulneráveis, adaptação climática não é um conceito abstrato, mas sim “a diferença entre se reconstruir ou ser destruído; entre permanecer em sua terra ancestral ou perdê-la para sempre”.
Ele reforçou que a adaptação precisa de “velocidade e escala”, lembrando que, mesmo após o lançamento do Fundo de Perdas e Danos e de mecanismos para financiamento climático, o ritmo global ainda está muito abaixo do necessário. “O mundo está avançando, mas não rápido o suficiente”, alertou.
Transição energética
Guterres reiterou que a transição para energias renováveis é “inevitável”, mas precisa se tornar “rápida e justa”. Segundo ele, a energia limpa “nunca foi tão barata ou tão acessível”, sendo capaz de impulsionar crescimento econômico e proteger famílias das oscilações dos mercados fósseis.
O secretário lançou um apelo para a criação de uma nova coalizão global de energias renováveis, com o objetivo de tornar a energia limpa “a escolha padrão” em todo o planeta, incluindo setores de difícil eletrificação.
Desmatamento zero até 2030
Em um dos trechos mais firmes da coletiva, Guterres afirmou que é “impossível estabilizar o clima sem deter e reverter o desmatamento até 2030”. “A natureza continua sendo um escudo vital para nossa sobrevivência. Não há caminho para limitar o aquecimento global se continuarmos destruindo florestas”, reforçou ele.
Além disso, o secretário-geral dedicou parte significativa do discurso ao financiamento climático, tema central dos debates desta COP. Ele defendeu:
- que países desenvolvidos cumpram e ampliem suas metas;
- que o sistema financeiro internacional seja reformado;
- que bancos multilaterais se tornem “maiores, mais ousados e mais capazes de assumir riscos”;
- • que haja uma rota clara para mobilizar US$ 1,5 trilhão ao ano até 2035 para países em desenvolvimento.
“Sabemos que os orçamentos nacionais são limitados. É o sistema financeiro internacional que deve multiplicar recursos e desbloquear capital em escala”, afirmou.
“Engajem com boa-fé”
Antes de se dirigir para outra reunião durante a conferência, Guterres concluiu sua fala com um apelo direto aos ministros e negociadores presentes na COP30:
“Engajem com boa-fé. Comprometam-se. A meta de 1,5°C deve ser a única linha vermelha de vocês. Esta é a hora da liderança. Sigam a ciência. Façam isso pelas pessoas. Façam isso pelo planeta”, pediu ele.
A coletiva terminou com aplausos, refletindo a gravidade da mensagem e o clima de urgência que permeia a conferência climática deste ano.
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