Andressa Ferreira/DOL – O uso de patinetes elétricos ganhou força entre os participantes da COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Belém, e se tornou uma das opções de mobilidade mais requisitadas. Em um evento dedicado à busca por soluções climáticas, o transporte leve, silencioso e de baixo impacto ambiental chamou atenção por contribuir diretamente para a redução das emissões de CO₂. Para muitos, circular pela cidade em patinetes foi também uma forma simbólica de reafirmar o compromisso com práticas sustentáveis no dia a dia.
A professora Dra. Maisa Tobias, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Engenheira de Transportes, reforça que o uso de patinetes elétricos “diminui a dependência de combustíveis fósseis e, portanto, o volume de poluentes lançados na atmosfera”. Além disso, ela destaca que “a adoção desse serviço durante a COP30, por exemplo, demonstra, de forma concreta, que Belém está disposta a avançar rumo a uma mobilidade mais limpa e coerente com as metas internacionais de neutralização das emissões. É um sinal de alinhamento com a agenda climática global e com a busca por soluções urbanas mais sustentáveis”.
Bastava circular pelas entradas da Zona Azul e Zona Verde ou pelos arredores do local da conferência para se deparar com um “longo estacionamento de patinetes elétricos”. A iniciativa integra o plano de mobilidade sustentável preparado não apenas para a COP30, mas para o dia a dia da população de Belém, com objetivo claro de não apenas facilitar deslocamentos curtos, mas evitar o uso de veículos automotores para pequenos trajetos.
A Engenheira de Transportes explica que para cidades densas como Belém, marcadas por vias congestionadas e condições climáticas desafiadoras, os patinetes elétricos são excelentes opções, pois “não adicionam ruído nem calor ao espaço urbano, fatores relevantes para uma região que já enfrenta altas temperaturas e um microclima sensível”. Outro benefício apontado pela especialista é a ampliação das “possibilidades de deslocamento, oferecendo maior fluidez e reduzindo a pressão sobre a infraestrutura viária existente”.
Ações práticas geram impactos reais
O impacto ambiental positivo também é destaque. Cada viagem realizada de patinete representa uma pequena redução nas emissões, mas, quando multiplicada por milhares de deslocamentos diários, gera um efeito significativo. Especialistas presentes na COP30 reforçam que mudanças simples na rotina urbana — como substituir veículos motorizados por meios elétricos leves — são essenciais para alcançar as metas globais de mitigação das mudanças climáticas. A professora da UFPA e Engenheira de Transportes também concorda.
“Ao trocar parte dos trajetos feitos por automóveis por patinetes, há ganhos ambientais imediatos. A diminuição das emissões de gases de escape melhora a qualidade do ar e reduz a concentração de poluentes associados a problemas respiratórios. Paralelamente, a redução do número de veículos em circulação contribui para minimizar congestionamentos, uma situação que aumenta o consumo de combustível e as emissões oriundas de motores em marcha lenta”, explica Maisa Tobias.
A expectativa é de que o uso de patinetes elétricos não fique restrita apenas durante a COP30, mas que a iniciativa seja integrada na rotina da população, incentivando uma nova cultura de deslocamento, mais ágil e menos poluente.
A especialista explica que, para consolidar os patinetes como uma alternativa de baixo carbono, é fundamental agir em três eixos: qualificação do espaço urbano, definição de normas claras e incentivo ao uso. “Isso envolve criar rotas seguras, áreas específicas para estacionar os equipamentos e zonas de velocidade reduzida. No campo regulatório, políticas de integração com o transporte público e mecanismos de incentivo podem fortalecer a adesão. E, no aspecto educativo, campanhas sobre segurança, boas práticas e benefícios ambientais ajudam a transformar o patinete em um modal reconhecido pela população como parte da solução climática, e não apenas como uma novidade”, aponta ela.
COP30: o ponto de virada para a mobilidade sustentável de Belém
A COP30 também serviu como vitrine para empresas de tecnologia limpa e startups de mobilidade demonstrarem e reforçarem que investir em inovação é um caminho fundamental para transformar a mobilidade urbana em escala global.
Segundo a professora da UFPA e Engenheira de Transportes, “a operação de patinetes durante a COP30 permitirá reunir informações essenciais sobre demanda, padrões de uso, áreas prioritárias e potencial de redução de emissões”. Para ela, esses “dados podem servir de base para políticas municipais permanentes voltadas à micromobilidade elétrica”.
“Se aproveitada de forma estratégica, essa experiência poderá consolidar uma rede estável de patinetes integrados ao sistema de transporte da cidade, promovendo reduções contínuas de CO₂ e incentivando um padrão de deslocamento mais eficiente e de menor impacto ambiental mesmo após o encerramento do evento. A COP30, portanto, pode funcionar como um ponto de virada para a mobilidade sustentável de Belém”, concluiu.
O sucesso dos patinetes na COP30 mostra que ações práticas — por menores que pareçam — podem gerar impactos reais na luta contra a crise climática. Belém, ao adotar e testar essas soluções, dá um passo importante rumo a um futuro com menos emissões, mais qualidade de vida e uma mobilidade urbana mais inteligente e alinhada aos desafios ambientais do século XXI.
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