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Exposição do coletivo MAHKU conecta ancestralidade e clima na CAIXA Cultural Belém

“Espíritos da Floresta: MAHKU” reúne cerca de 30 obras inéditas, do coletivo MAHKU, que direciona a venda de suas telas para a aquisição de áreas ao redor das aldeias huni kuin da Floresta Amazônia no Acre

Durante a COP30, a CAIXA Cultural Belém recebe a exposição “Espíritos da Floresta: MAHKU”, que reúne cerca de 30 obras inéditas do coletivo huni kuin MAHKU. Com curadoria de Aline Ambrósio, a mostra propõe uma experiência que conecta arte, ancestralidade e proteção ambiental — um diálogo direto com os debates climáticos que tomam Belém neste mês de novembro.

O coletivo direciona a venda de suas obras para a compra de áreas ao redor das aldeias huni kuin, no Acre, iniciativa sintetizada no lema “vende tela, compra terra”, que reforça o vínculo entre arte, território e preservação da Floresta Amazônica.

Um novo polo cultural na capital da COP30

A mostra integra o circuito cultural da COP30 e acontece no recém-inaugurado complexo do Porto Futuro II, que abriga também o Museu das Amazônias, o Armazém da Gastronomia e a Nova Doca. A CAIXA Cultural Belém é o primeiro equipamento da instituição na região Norte e, desde outubro, já recebeu mais de 50 mil visitantes.

O espaço conta com teatro para 280 pessoas, três galerias expositivas e áreas para oficinas. Na abertura da unidade, duas exposições foram inauguradas: “Espíritos da Floresta: MAHKU” e “Paisagem em Suspensão”.

A floresta como voz e presença

Formado por sete artistas — Acelino Sales Tuin, Bane Huni Kuin, Ibã Sales Huni Kuin, Mana Huni Kuin, Rita Kuni Kuin, Txana Tuin e Yaka Huni Kuin — o MAHKU traduz visualmente os cantos sagrados huni meka, transformando oralidades ancestrais em pintura. A exposição destaca obras que evocam cura, equilíbrio e proteção, com forte presença dos cantos de cura.

“A arte do MAHKU é uma voz direta da floresta”, afirma a curadora Aline Ambrósio. “As obras transformam cantos sagrados em imagem e cor, reafirmando a urgência de ouvir os povos originários na construção de caminhos para enfrentar a crise climática.”

Ibã Huni Kuin, liderança do coletivo, reforça o papel político e espiritual da mostra: “Nossas obras falam da floresta viva — dos cantos e espíritos que habitam esse território. Não dá para falar de futuro ou de clima sem ouvir quem protege a floresta há milhares de anos. A arte do MAHKU é um chamado à escuta e à cura.”

Atividades paralelas e ações educativas

A programação inclui rodas de conversa, oficinas, cursos e mediações. As atividades aproximam o público da cosmovisão huni kuin e das discussões ambientais e culturais presentes no trabalho do coletivo.

A agenda será atualizada nos perfis oficiais @espiritosdaflorestamahku e @caixaculturalbelem.

Sobre o coletivo

O MAHKU — Movimento dos Artistas Huni Kuin — é originário da Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão (AC). O grupo já expôs em instituições como MASP, Pinacoteca de São Paulo, Fondation Cartier (Paris) e participou da 60ª Bienal de Veneza, consolidando-se como referência global da arte indígena contemporânea.

Sobre a curadora

Aline Ambrósio é curadora, expógrafa e pesquisadora Tupi-Guarani, com trajetória dedicada a práticas curatoriais associadas à natureza, ancestralidade e decolonialidade. Tem projetos realizados em instituições como Pinacoteca, CCBB, IMS, Museu Oscar Niemeyer, Sesc-SP e Museu Nacional da República.


Serviço — “Espíritos da Floresta: MAHKU”

Período: até 25 de janeiro de 2026
Local: CAIXA Cultural Belém – Porto Futuro II, Armazém 6, Av. Mal. Hermes, s/n – Umarizal
Horário:

Domingo e feriados, 12h às 22h
Entrada: gratuita
Acessibilidade: recursos inclusivos e textos bilíngues
Patrocínio: CAIXA Econômica Federal e Governo Federal

Terça a sábado, 11h às 22h

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