Lucas Contente/DOL – O ativista brasileiro Thiago Ávila participou, na tarde desta terça-feira (18), de um ato na Green Zone da COP30, área aberta ao público e dedicada à sociedade civil. Em sua fala, Ávila relacionou a luta pela libertação da Palestina com os desafios enfrentados pelos povos da Amazônia, destacou o papel de comunidades tradicionais nas soluções climáticas e relembrou o período em que ficou detido por Israel em 2025.
“Ecocídio e genocídios fazem parte do mesmo sistema”, diz ativista
Diante de uma plateia formada por ativistas brasileiros e estrangeiros, Ávila afirmou que as crises climáticas e humanitárias que marcam o cenário global têm uma origem comum.

“Estamos vendo duas batalhas fundamentais para o futuro da humanidade e da natureza. Uma é a luta contra o ecocídio. A outra é deter o sistema que produz esse ecocídio, pois o mesmo sistema também produz genocídios. Na Palestina, no Sudão, no Congo, as mesmas empresas que lucram com a guerra e com o genocídio são as que lucram ao tratar a natureza como commodity.”
O ativista classificou o momento atual como decisivo para as próximas gerações e defendeu que a mobilização global precisa mirar o centro da estrutura de poder, e não apenas seus efeitos.

“Precisamos mudar o sistema, não só mitigar os efeitos. Esses efeitos são sintomas de uma doença chamada capitalismo em sua etapa imperial. As gerações que vierem depois vão olhar para este período e perguntar o que fizemos diante do desastre ambiental e do genocídio na Palestina.”
Relatos da prisão em Israel
Ávila também relembrou o período em que foi detido por Israel após integrar, em 2025, a tripulação do barco Madleen, que transportava suprimentos para Gaza em missão humanitária. A embarcação foi interceptada em águas internacionais pela marinha israelense — ação que organizações de direitos humanos classificaram como ilegal.
O brasileiro, que chegou a ser colocado em confinamento solitário após iniciar uma greve de fome, descreveu as ameaças e pressões que sofreu:
“Na última vez em que estive em uma prisão sionista, os soldados me levavam para interrogatório todos os dias — ameaçando minha filha e colocando uma escopeta na minha cara. Perguntavam se eu não tinha medo e se acreditava que teria algum resultado, já que eu seria banido por mais 100 anos.”
Segundo ele, a resposta foi sempre a mesma:
“Vocês ainda não entenderam o poder da humanidade, que é mais forte que qualquer regime opressor. Vocês pensam que têm tudo, mas tudo o que têm são bombas, armas, ódio e violência. Nós temos todo o resto.”
Ávila afirmou ainda acreditar que retornará à Palestina em breve. “Disse a eles que o Estado colonial deles não tem 200 anos. E afirmei que, em menos de 200 dias, estarei de volta com milhares de pessoas rompendo o cerco novamente.”

Amazônia e Palestina: paralelos entre lutas por território e soberania
O professor de geografia Túlio Aramont, admirador do ativista, acompanhou a palestra e comentou o impacto do ato na COP30 e o simbolismo da faixa “Palestina Livre” instalada no local.
“Uma palestra como essa afronta o status quo da COP. Lá dentro da Blue Zone muita coisa não se discute, e se passa pano para o sionismo. Precisamos diferenciar sionismo de semitismo. Ser pró-Palestina não é ser antissemita — os palestinos também são semitas.”
Túlio também destacou o paralelo feito entre a luta palestina e os conflitos territoriais na Amazônia: “Essa correlação é perfeita, principalmente no contexto geopolítico atual. As potências estrangeiras enxergam o mundo a partir do próprio umbigo. Mas o mundo já não suporta mais o formato unipolar. Os povos se levantam, os países se levantam, e a soberania deles cresce — como o povo da Amazônia, que começa a enxergar seu protagonismo.”

Segundo ele, ouvir ativistas palestinos e perceber que eles também se inspiram nos povos da floresta reforça a dimensão global das lutas: “É inspirador conhecer companheiros da Cisjordânia, e saber que eles se inspiram na gente. Isso é fantástico.”
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