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sábado, março 7, 2026

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Ministério do Meio Ambiente defende “mapas do caminho” na fase decisiva da COP30

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Lucas Quirino/DOL No oitavo dia da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, avaliou que a conferência entrou em um momento decisivo, marcado pelo início do segmento ministerial e por avanços considerados acelerados nas negociações. Em entrevista ao DOL, ele afirmou que há forte mobilização política para fechar acordos ainda nesta semana, especialmente sobre adaptação, indicadores globais e novos mecanismos para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e combater o desmatamento.

Segundo Capobianco, o dia foi marcado por intervenções de diversos ministros e pela costura final de temas centrais da agenda. “Estamos num momento decisivo. Desde ontem estamos no segmento ministerial, onde decisões passam a ser tomadas. Há mais apoio político para avançarmos e estamos vendo um avanço bastante acelerado, um acordo sendo construído para aprovar tudo aquilo que já estava na agenda, como, por exemplo, os indicadores para adaptação.”

O secretário reforçou que a adaptação segue como uma das prioridades da COP30 — especialmente para países mais vulneráveis. “Essa convenção precisa reforçar os investimentos para promover a adaptação e aumentar a resiliência das regiões mais afetadas, que são principalmente os países mais pobres.”

“Mapas do caminho”

Capobianco destacou que a presidência brasileira da COP30 introduziu oficialmente na agenda a concepção dos chamados “mapas do caminho”, documentos nacionais que orientarão a transição de cada país. “São processos a serem construídos em cooperação, com apoio financeiro e técnico, para que a gente possa começar uma transição para reduzir e eliminar a dependência dos combustíveis fósseis e também do desmatamento.”

Ele explicou que esses mapas são inspirados no modelo das NDCs do Acordo de Paris, mas voltados especificamente para orientar a saída progressiva dos combustíveis fósseis e a restauração ambiental. “Assim como surgiu a ideia das NDCs, cada país poderá elaborar o seu mapa de transição, o seu mapa de afastamento dos combustíveis fósseis, e também do desmatamento.” Segundo ele, isso pode “dar um novo impulso à implementação das NDCs” em todo o mundo.

Experiência histórica no combate ao desmatamento

Questionado sobre biodiversidade, reflorestamento e medidas concretas, Capobianco afirmou que o Brasil já possui um caminho consolidado desde 2003, quando foi lançado o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia (PPCDAm). Ele destacou que o plano foi completamente reformulado em 2023, reforçando ações de comando e controle, mas sobretudo ampliando alternativas econômicas sustentáveis.

“O plano tem medidas para reduzir o desmatamento com fiscalização, mas também, principalmente, com alternativas econômicas, com investimentos para que haja desenvolvimento econômico com a conservação da floresta.” Entre as estratégias mencionadas, ele citou a bioeconomia, concessões florestais e regeneração de áreas degradadas — ações que, segundo ele, “geram muito emprego e renda”.

Capobianco afirmou que essas diretrizes foram incluídas no documento divulgado pela presidência da COP30 nesta manhã, que apresenta uma proposta ampla para que países iniciem a elaboração de seus mapas de transição. “As realidades são diferentes: há países muito dependentes e países menos dependentes. O necessário é que haja cooperação internacional, financiamento e construção de alternativas.”

Expectativa de avanço nas negociações

Com ministras e ministros agora oficialmente à frente das conversas finais, o secretário vê a conferência avançando para consensos fundamentais. A expectativa é que os indicadores de adaptação sejam aprovados, que os mapas do caminho ganhem adesão e que novas diretrizes de financiamento permitam acelerar ações de mitigação e adaptação.

Para Capobianco, o movimento desta semana pode definir o legado da COP30: “Estamos construindo as bases para uma transição que leve em conta as diferenças entre os países, mas que permita superar a dependência dos combustíveis fósseis e do desmatamento com cooperação, apoio técnico e financiamento.”

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