28 C
Belém
sábado, março 7, 2026

Descrição da imagem

Marina Silva cobra indicadores globais e traça “rota das estrelas” para transição justa na COP30

Data:

Descrição da imagem

Lucas Quirino/DOL – Em um dia marcado por negociações intensas e discursos insistindo por avanços concretos, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, trouxe novos elementos ao debate durante sua intervenção plenária na COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, nesta terça-feira, 18 de novembro. Se, ao longo do evento, ela já havia reforçado temas como desmatamento zero, financiamento climático e justiça ambiental, desta vez acrescentou camadas pouco exploradas até aqui: a urgência da aprovação dos indicadores globais de adaptação, o papel simultâneo dos países produtores e consumidores de combustíveis fósseis na transição energética, além da necessidade de um planejamento estruturado para garantir segurança energética sem retrocessos sociais.

Marina abriu sua fala agradecendo aos povos amazônicos pela acolhida, ressaltando a simbologia de Belém sediar a conferência: “Quero começar agradecendo aos povos amazônicos que, com generosidade, recebem o mundo nessa COP da Amazônia. Reunidos em Belém, impõem uma responsabilidade maior.” Na sequência, alertou para o peso político das decisões tomadas no território: “As decisões aqui tomadas precisam estar à altura da urgência climática e da grandeza do território que nos acolhe.”

Entre os novos pontos apresentados, a ministra foi direta sobre a necessidade de a COP30 concluir um dos dossiês mais arrastados das negociações: “É fundamental que essa COP30 saia com os indicadores globais de adaptação finalmente aprovados.” Segundo ela, esses dados são essenciais para medir o progresso, orientar políticas e reduzir vulnerabilidades em um cenário no qual “a emergência climática já transforma vidas, economias e ecossistemas.”

Marina também acrescentou um aspecto que ainda não havia sido explicitado com tanta ênfase no evento: o papel compartilhado dos países produtores e consumidores de combustíveis fósseis. “Precisamos de estratégias de longo prazo que contemplem países produtores e consumidores de combustíveis fósseis. Precisamos planejar o caminho e garantir os recursos financeiros e o suporte técnico para reduzir a alta dependência desses combustíveis, especialmente nos países em desenvolvimento”, apontou ela.

A ministra relacionou diretamente a transição energética ao enfrentamento do desmatamento — uma conexão que até então não havia feito com tanta clareza nas sessões plenárias.

“Nesse processo, deve caminhar de forma concomitante e marcar o caminho para o fim do desmatamento, igualmente determinados por cada país, com cooperação, financiamento e pleno respeito aos povos indígenas e comunidades locais”, disse ela.

Marina ainda reforçou a responsabilidade diferenciada dos países ricos: “Países desenvolvidos com maior responsabilidade histórica e mais recursos devem agir mais e mais rápido.” Ao mesmo tempo, destacou que nações em desenvolvimento precisam ter acesso efetivo aos meios de implementação, “em plena coerência com seus objetivos de desenvolvimento sustentável e de redução das desigualdades.”

Em um dos momentos mais simbólicos, a ministra evocou a sabedoria combinada da ciência moderna e dos conhecimentos tradicionais: “A essência de uma transição justa é proteger pessoas, fortalecer a resiliência e orientar decisões pela ciência — tanto a ciência moderna quanto a ciência dos povos originários.”

A ministra encerrou com uma metáfora que arrancou atenção renovada da plenária: “Se a Estrela do Norte sempre guiou navegantes em busca de direção segura, e o Cruzeiro do Sul sempre orientou povos que cruzaram oceanos em busca de um novo mundo, que agora ambas as constelações nos ajudem a guiar a humanidade rumo a um novo ciclo de prosperidade, de paz entre os povos e com a natureza.”

Com essa fala, Marina Silva reforça o papel do Brasil como articulador político na COP30, pressionando por avanços concretos em adaptação, financiamento climático e transição energética — três dos pontos mais sensíveis e ainda pendentes nas negociações que definirão o texto final do encontro.

O post Marina Silva cobra indicadores globais e traça “rota das estrelas” para transição justa na COP30 apareceu primeiro em RBA NA COP.

Compartilhe

Descrição da imagem

Mais Acessadas

Descrição da imagem