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sábado, março 7, 2026

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Cinzas da Amazônia viram arte e protesto em performance do Greenpeace

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Brenda Hayashi/DOL – A manhã desta terça-feira, 18 de novembro, na COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, foi marcada por uma das performances mais fortes já vistas na conferência. Durante uma representação do Greenpeace, o artista e ativista brasileiro Mundano realizou uma intervenção que transformou cinzas de áreas queimadas da Amazônia em um grito visual por urgência climática.

Dentro de uma caixa transparente, vestido com roupa branca e máscara, ele passou cola pelas paredes internas e, aos poucos, lançou sobre elas cinzas de florestas queimadas. O pó escuro, ao aderir ao vidro, formava imagens que lembravam árvores destruídas, áreas devastadas e, por fim, as palavras: “COP30 Rise for Forest” (Levante-se pela floresta). A obra, silenciosa e simbólica, prendeu a atenção de observadores na Blue Zone.

Foto: Brenda Hayashi/DOL

“Eu não estou aqui para defender a floresta. Eu sou a floresta”, disse ele. Ao final da performance, Mundano explicou o significado do gesto: “Eu não aguento mais ouvir tantos hectares sendo destruídos todos os dias. É muito triste pensar que esse pó que eu uso é feito de árvores, folhas, insetos, animais… é uma floresta inteira que vira cinza”.

O ativista brasileira explicou que usa cinzas reais de queimadas como pigmento. “Esse pó é um pigmento ancestral. Eu pego algo triste, fruto da destruição, e tento transformar em arte, em denúncia. Aqui na COP30, é muito oportuno mostrar isso”, disse ele.

Foto: Brenda Hayashi/DOL

Greenpeace cobra plano global para deter o desmatamento

Antes da intervenção, representantes do Greenpeace fizeram um apelo direto aos líderes reunidos em Belém: “Não podemos ter uma COP na Amazônia sem entregar um plano concreto para deter e reverter o desmatamento até 2030.”

Foto: Brenda Hayashi

Carolina Pasquali, diretora do Greenpeace Brasil, lembrou que compromissos verbais já não bastam: “Palavras não são ação. Não queremos outra conversa sem passos concretos. As florestas estão em risco. Não existe 1,5°C sem as florestas, e não existem florestas sem o 1,5°C.”

“Ainda temos tempo esta semana”

A diretora do Greenpeace Brasil destacou ainda que “não temos o luxo de esperar mais mesas-redondas”. Para ela, é necessário “um plano concreto para definir as ações essenciais até 2030.”

Pasquali citou o apelo de cientistas como Rockström e Carlos Nobre. “A ciência está nos chamando. Os povos indígenas estão nos chamando. Os negociadores precisam tomar decisões corajosas”, apontou ela, fazendo um pedido direto ao público: “Conversem com seus diplomatas, com os países que vocês representam. Peçam apoio. Precisamos dessa coragem agora.”

Placa da instalação destacou mensagem central

Ao lado da caixa de vidro, uma placa explicava que Mundano utiliza cinzas, lama tóxica e resíduos de crimes ambientais para criar pigmentos e obras que denunciam a crise climática. Desde 2021, o projeto Ashes of the Forest já mobilizou mais de 150 artistas no Brasil.

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