Belém está recebendo, durante o período da COP30, mais de 50 mil pessoas. Porém, muitos paraenses também fazem questão de visitar os espaços oficiais como a Greenzone, espaço aberto para todos.
Entre os visitantes locais estava o motorista Bruno Correia, que aproveitou uma pausa no trabalho para conhecer, pela primeira vez, o lugar de diálogo e integração cultural. Acompanhado da esposa e do filho, ele contou que a curiosidade o motivou a visitar o espaço, que reúne atividades abertas ao público, projetos ambientais, experiências interativas e programação cultural.
“Eu ainda não tinha tido a oportunidade de entrar. Hoje bateu a curiosidade, chamei a esposa e meu filho para conhecer. A gente está achando tudo muito legal”, afirmou. Bruno disse ainda que pretende retornar ao local no último dia da conferência para acompanhar o encerramento das atividades abertas ao público.
Trabalhando diariamente, como motorista dos ônibus exclusivos para o acesso ao Parque da Cidade, ele acompanha de perto o movimento em Belém desde o início do evento. Para Bruno, sediar a COP30 representa um marco importante para a capital paraense. “A COP está dando visibilidade para a cidade. Na zona azul, onde a gente não pode entrar, estão acontecendo convenções e debates sobre o clima. Espero que resultem coisas boas pra gente”, destacou.
Meio Ambiente e Educação
Quem também aproveitou a tarde para se inteirar sobre os assuntos debatidos durante a COP, foi a professora Sunamita Paixão, que fez questão de destacar a oportunidade única em receber um evento de repercussão internacional.
Sunamita conta que a curiosidade e o ineditismo do evento foram os primeiros motivos que a levaram até o espaço. “É uma oportunidade única ter um evento dessa magnitude aqui. A gente sempre vê nos noticiários, mas não é a mesma coisa que estar inserido no meio”, afirma.

Para a educadora, participar da COP no cotidiano da cidade é fundamental para ampliar a compreensão sobre os temas debatidos globalmente. “Quando você tem um evento dessa forma, você tem que de alguma forma participar. Não dá para falar de uma coisa que você não conhece. Para discutir, você precisa vivenciar”, destaca.
A professora relata que chegou cedo à Green Zone e se surpreendeu com a intensidade das programações. Segundo ela, os diálogos entre visitantes, especialistas e representantes de diferentes setores tornam o ambiente dinâmico e enriquecedor. “As discussões se acaloraram. Em todo canto tem um assunto superinteressante. Já parei em um lugar, parei em outro. São maneiras de perceber o que está acontecendo na COP, que discussões vêm à tona, o que eles estão buscando”, relata.
Além de observar a estrutura montada para a conferência, Sunamita destaca a relevância social e educativa da experiência. Para ela, acompanhar os debates presencialmente ajuda a formar opiniões mais embasadas. “Isso enriquece a gente. Participar é uma forma de buscar novos conhecimentos, de ver aquilo que a gente só ouve falar, mas raramente tem a chance de presenciar.”
A professora também comenta o clima de respeito entre os participantes, mesmo quando os temas geram divergências. “As discussões às vezes são acaloradas, mas com muito respeito, com muita dignidade. Todo mundo busca expor sua razão”, afirma.
A comunidade LGBT+ e os debates climáticos
A Greezone é um lugar de encontros de pautas importantes a serem debatidas, onde diversos grupos da sociedade ampliam suas vozes, como as comunidades indígenas, quilombolas e LGBTs.
O cantor e artista Eloi Iglesias participou da programação da Green Zone na COP30 e defendeu a presença da arte LGBT como parte fundamental das discussões socioambientais da conferência. Ele ressaltou que, apesar de reconhecer a centralidade das pautas indígenas, que classificou como “as pessoas que seguram o céu”, é essencial que a diversidade e a representatividade LGBTQIA+ também estejam contempladas na agenda climática.
Para Iglesias, levar a Festa da Chiquita, manifestação cultural tradicional e símbolo da resistência LGBT na Amazônia, para dentro da Green Zone significa reafirmar que o movimento faz parte da sociedade em todas as esferas. “O movimento LGBT tá em todos os lugares. Não é uma coisa isolada. Todas as casas têm LGBT, todas as empresas têm LGBT, toda família tem LGBT. É importante a gente estar nessa conversa [sobre meio ambiente]”, afirmou.

O artista destacou ainda que discutir diversidade dentro de um evento climático é também enfrentar preconceitos e desigualdades que afetam diretamente pessoas LGBTQIA+. “É importante quebrar paradigmas e ir contra todo tipo de racismo e discriminação. Nós somos as primeiras pessoas afetadas por estarmos tão à margem da sociedade”, avaliou.
O cantor também comentou o reconhecimento internacional que a Amazônia recebeu ao sediar a COP. “Belém tá de parabéns. Felizmente, descobriram o quanto nós somos necessários para esse mundo, o quanto a Amazônia é importante”, disse.
A Green Zone, instalada às margens do evento oficial, tem recebido milhares de visitantes desde o início da COP30, funcionando como um espaço de aproximação entre a população local, iniciativas ambientais e organizações que participam da conferência.
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