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sábado, março 7, 2026

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Geraldo Alckmin fala em “COP da verdade” e aceleração da ação climática em Belém

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Lucas Quirino/DOL – A segunda e decisiva semana da COP30 (Conferência do Clima das Nações Unidas) começou nesta segunda-feira (17), em Belém, com uma mensagem clara do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin: “o tempo das promessas já passou”. Na cerimônia de abertura do segmento de alto nível — etapa que reúne ministros do Meio Ambiente e autoridades globais responsáveis por fechar os acordos políticos —, o governo brasileiro subiu o tom e pediu que a conferência deixe como legado uma virada concreta na implementação das metas climáticas.

Diante de chefes de delegações de quase 200 países, Alckmin afirmou que esta deve ser “a COP da verdade, da implementação e da responsabilidade”, destacando que cada decisão tomada agora precisa proteger o planeta, garantir justiça entre gerações e contribuir para a preservação da vida na Terra.

O vice-presidente reforçou que o Brasil chega ao encontro com compromissos “ousados, porém realistas”, como o fim do desmatamento ilegal até 2030, a ampliação de combustíveis renováveis e a consolidação de uma matriz energética mais limpa. Ele lembrou ainda o aumento obrigatório da mistura de etanol na gasolina (para 30%) e de biodiesel no diesel (para 15%), além do avanço do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, que já mobiliza bilhões em investimentos.

Ao defender uma transição energética justa, Alckmin ressaltou que ela deve gerar empregos, renda e desenvolvimento, sem deixar regiões ou populações para trás — e pediu que países intensifiquem o combate aos combustíveis fósseis, tripliquem a capacidade de energias renováveis e dobrem a eficiência energética até 2030. “Cada fração de grau no aquecimento global representa vidas em risco”, alertou.

O discurso do vice-presidente foi seguido pelas falas do secretário-executivo da Convenção-Quadro da ONU para Mudanças Climáticas (UNFCCC), Simon Stiell, e da presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, que também reforçaram o chamado à ação.

Stiell celebrou o que chamou de “marco da conferência”, marcado pelo início das decisões políticas, e alertou que o ritmo das negociações precisa acompanhar a velocidade da crise climática e da própria economia real. Segundo ele, apesar de avanços significativos — como o volume recorde de investimentos em energia limpa —, a diplomacia ainda se move mais devagar do que a emergência climática exige. “Existe vontade, mas falta velocidade”, afirmou. O secretário cobrou que ministros entrem imediatamente nos temas mais difíceis e evitem “atrasos táticos”: “Agora é a hora de arregaçar as mangas”.

Annalena Baerbock destacou o simbolismo de realizar a COP brasileira no décimo aniversário do Acordo de Paris e no ano em que a ONU completa 80 anos. A diplomata ressaltou que, apesar das tensões geopolíticas, “este não é um momento de resignação, mas de ação”. Ela lembrou os avanços da última década, especialmente o crescimento acelerado das energias renováveis, e defendeu que o mundo precisa conectar inovação, financiamento e justiça social — com atenção especial aos países mais vulneráveis, incluindo os africanos.

Baerbock também enfatizou que o dinheiro para a transição existe, mas precisa ser redirecionado para mitigação, adaptação e resiliência climática, e defendeu fortalecer parcerias público-privadas e novos instrumentos financeiros. “Não temos o luxo de esperar”, disse, citando desastres recentes que atingiram Caribe e Ásia.

Com a pressão aumentando, os discursos inaugurais abriram uma semana considerada decisiva para destravar pontos centrais da negociação, como financiamento climático, metas de redução de emissões e mecanismos de adaptação. A expectativa é de que, até o último dia da conferência, as lideranças consigam construir um pacto político capaz de entregar resultados concretos — exatamente como cobrou Alckmin na abertura: “O tempo de agir é agora”.

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