Lana Oliveira/DOL – O quinto dia da COP30 reforçou que a transição energética global só será possível com a integração entre energia, indústria e finanças. Em Belém, governos, empresas, instituições financeiras e organizações da sociedade civil se reuniram para discutir ações capazes de alinhar inovação, investimentos e políticas públicas que promovam transformações estruturais nos sistemas produtivos que sustentam as economias do mundo.
Os debates desta sexta-feira (14), envolveram temas como Energia, Indústria, Transporte, Comércio, Finanças, Mercados de Carbono e emissões de gases não-CO₂, compondo uma agenda ampla e estratégica para acelerar o combate às mudanças climáticas.
Álife Campos, Analista Ambiental do Ministério do Meio Ambiente destacou a dimensão do trabalho realizado. “Hoje aqui na COP30 a gente está coordenando cerca de 276 eventos junto a diversas partes, ministérios, sociedade civil e ONGs. Trazemos especialistas de todos os lugares do mundo para aprofundar discussões. […] A expectativa é que a gente consiga avançar e implementar ações rumo à adaptação ao clima, com justiça climática, sem deixar ninguém para trás”, explicou.
A pauta da manhã foi marcada por uma reunião de países comprometidos em ampliar o uso de energias limpas. Durante o encontro, foi lançado o Plano de Ação de Combustíveis do Futuro, que pretende expandir globalmente a produção e o uso de combustíveis sustentáveis.
Para Álife Campos, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente, os investimentos em adaptação e gestão climática trazem vantagens econômicas claras. “As ações de gestão e adaptação não são apenas sustentáveis. Elas também trazem retornos financeiros para países e estados. Hoje temos setores reunidos justamente por reconhecerem que o custo da inação é muito maior do que investir em sustentabilidade”, destacou.

Outro destaque foi a apresentação da Declaração de Belém sobre Industrialização Verde Global, um documento que reúne governos e parceiros internacionais em torno do impulso a tecnologias e cadeias produtivas sustentáveis. O objetivo é fortalecer a indústria verde, reduzir emissões e promover desenvolvimento econômico inclusivo.
A agenda técnica seguiu com debates sobre Novas Abordagens para a Transição dos Combustíveis Fósseis, além de sessões dedicadas a setores estratégicos. Uma delas tratou de Energia na Navegação, apontando caminhos para um transporte marítimo de emissões zero. Outra, a ministerial de Redes e Armazenamento, discutiu investimentos críticos para ampliar a eletrificação, garantir infraestrutura e expandir o acesso à energia limpa.
O setor privado também marcou presença. André Clark, vice-presidente da Siemens Energy, ressaltou a importância do equilíbrio entre velocidade e realismo na descarbonização. “Os economistas estão dizendo: se vocês forem muito rápidos, as democracias podem ruir porque o povo precisa de energia para viver. Esse encontro do possível é o que está sendo feito aqui. O Brasil é um exemplo, tem feito isso brilhantemente nas últimas três décadas”, afirmou.

Ao longo do dia, novas iniciativas foram lançadas, como o Conselho Global de Implementação de Redes e Armazenamento, a atualização do Compromisso Global de Armazenamento e Redes e um Marco para Carteiras de Investimentos voltado à transição energética. As medidas fortalecem o ecossistema de colaboração necessário para impulsionar mudanças estruturais de longo prazo.
Com anúncios de cooperação, avanços técnicos e novos compromissos internacionais, o quinto dia da COP30 consolidou o evento como uma plataforma central de coordenação global para um futuro energético mais justo, seguro e sustentável.
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