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quinta-feira, março 12, 2026

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‘A resposta está nas cidades’: o alerta do ministro Jader Filho em artigo publicado na Time

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Cidades são chave para enfrentar crise climática, diz Jader Filho em texto publicado na Time

O ministro das Cidades, Jader Filho, publicou um artigo na revista Time, sob o título ‘Por que as cidades são o futuro da ação climática’, nesta quinta-feira, 13, reforçando a urgência de colocar as cidades no centro da agenda global de enfrentamento às mudanças climáticas. No texto, o ministro lembra que áreas urbanas concentram tanto os maiores desafios — como emissões, desigualdade e vulnerabilidade — quanto as soluções mais rápidas e eficientes para reduzir impactos e proteger populações.

Jader Filho também destaca o protagonismo do Brasil na construção de políticas integradas de habitação, urbanização e resiliência climática, além das iniciativas em curso para fortalecer governos locais e ampliar o acesso a financiamento climático.

A seguir, leia o artigo na íntegra.

Em 2015, o mundo fez história com o Acordo de Paris: pela primeira vez, quase todos os países do mundo se comprometeram a trabalhar juntos por um futuro mais resiliente às mudanças climáticas e com baixas emissões de carbono. Este ano também marca quase 10 anos desde a adoção da Nova Agenda Urbana da ONU-Habitat , que estabeleceu uma visão compartilhada para cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. 

Uma década depois, a urgência só aumentou, e a questão já não é se devemos agir, mas onde a ação terá o maior impacto. A resposta é clara: nas cidades. 

As áreas urbanas geram mais de 70% das emissões globais e respondem por 75% do consumo de energia primária. No entanto, as cidades também representam 80% do PIB global. As cidades são lugares onde as pessoas estão inovando, se adaptando e implementando soluções climáticas inovadoras. De Nairóbi a São Paulo, líderes locais estão instalando sistemas de alerta precoce, arborizando ruas para refrescar os bairros e adaptando casas para resistir ao calor e às inundações. Esses projetos não visam apenas a redução de emissões, mas sim a proporcionar às pessoas a segurança, a estabilidade e o futuro que merecem.

As cidades também são onde a crise climática impacta com mais força, especialmente para os mais de 1 bilhão de pessoas que vivem em assentamentos informais e favelas. Essas comunidades frequentemente carecem de moradia adequada, acesso a serviços básicos e proteção contra desastres. À medida que os riscos climáticos se intensificam, as desigualdades também aumentam. A crise global da habitação e a crise climática estão profundamente interligadas. Isso também significa que elas precisam ser enfrentadas em conjunto. Não pode haver justiça climática sem justiça urbana.

É por isso que a liderança do Brasil como anfitrião da COP30 em Belém é crucial. A região amazônica, muitas vezes percebida como remota, é na verdade profundamente urbana. Mais de 70% de sua população vive em cidades, e seus desafios refletem a necessidade global de conciliar a proteção ambiental com a equidade social e o desenvolvimento urbano.

O Brasil está demonstrando como esse alinhamento pode se concretizar. Desde 2023, o governo federal destinou mais de US$ 50 bilhões para habitação, além de investimentos específicos para a prevenção de riscos climáticos, como estabilização de taludes e grandes obras de drenagem, saneamento básico e melhoria de assentamentos informais. Esses esforços fazem parte de uma estratégia abrangente para ampliar o acesso à moradia adequada, promover a universalização do saneamento básico e fomentar a inclusão social em cidades e regiões brasileiras.

Essa abordagem já está sendo replicada globalmente por meio da iniciativa CHAMP — a Coalizão para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição — que já foi endossada por 77 países. Ela convoca os países a incluírem formalmente cidades e regiões no planejamento e na implementação de seus compromissos climáticos nacionais. Na COP30, devemos ir além: das promessas à implementação.

A urgência é evidente. Das inundações no sul do Brasil às secas antes inimagináveis ​​no norte, os extremos climáticos estão remodelando paisagens inteiras. Na região amazônica, carros agora trafegam sobre leitos de rios onde antes navegavam barcos, e famílias precisam caminhar longas distâncias para buscar água. Com ondas de calor recordes em todo o mundo, as cidades estão na linha de frente dos impactos climáticos. Mas é também onde as soluções podem avançar mais rapidamente — se apoiadas com as ferramentas e os recursos certos. Apesar de seu papel crucial, os governos locais recebem menos de 10% do financiamento climático. Menos ainda possuem a capacidade de planejamento, os dados ou a credibilidade necessários para atrair investimentos. Esse desequilíbrio precisa ser corrigido. Não podemos exigir que as cidades apresentem resultados sem lhes fornecer as ferramentas para isso.  

Para transformar a ambição em ação, o Ministério das Cidades do Brasil e o ONU-Habitat organizaram conjuntamente a Reunião Ministerial sobre Urbanização e Mudanças Climáticas em 11 de novembro. O encontro reuniu ministros responsáveis ​​por habitação, desenvolvimento urbano e meio ambiente para dialogar diretamente com governos locais e regionais e parceiros globais, reafirmando a importância crucial da ação climática local, em consonância com o espírito desta COP, focada na implementação.

Com base no trabalho do Mutirão Global da COP30, a Reunião Ministerial consolidou os resultados das quatro mesas-redondas de alto nível realizadas em Belém e os traduziu em um conjunto compartilhado de prioridades para a ação climática em múltiplos níveis. Os participantes concordaram com a necessidade de fortalecer a coordenação entre todos os níveis de governo, aprimorar os mecanismos para localizar e aumentar os componentes urbanos das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e expandir o acesso ao financiamento climático para atores locais e regionais. As discussões ressaltaram a localização como a ponte essencial que conecta as agendas climática e de desenvolvimento sustentável, destacando como a liderança local e regional pode acelerar a implementação tanto do Acordo de Paris quanto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Em parceria com o Ministério das Cidades, a ONU-Habitat e o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, também coorganizam o Centro de Cidades e Regiões , parte do Bairro do Mutirão para Cidades, Água e Infraestrutura, um espaço compartilhado inédito na COP que reflete a natureza interligada dos desafios climáticos e as soluções cocriadas que emergem de cidades em todo o mundo.

Esses espaços se ancoram no conceito brasileiro de mutirão, um esforço coletivo enraizado no conhecimento indígena, onde as pessoas se unem para construir algo para o bem comum. É o espírito que precisamos para enfrentar este momento. Da construção de moradias resilientes ao clima ao investimento em transporte público e infraestrutura verde, as cidades detêm até 40% do potencial de redução de emissões necessário para atingir a meta de 1,5°C do Acordo de Paris. Fizemos história em Paris. Em Belém, levaremos essa história para casa, para os bairros que estão no centro da ação climática, onde as pessoas vivem. E em Baku, na 13ª sessão do Fórum Urbano Mundial, em maio de 2026, daremos continuidade a esse impulso, garantindo que as cidades permaneçam centrais para as metas climáticas e de desenvolvimento na próxima década.

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