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sábado, março 7, 2026

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COP30: manifestantes defendem transformação no modelo global de produção de alimentos

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Lucas Contente (DOL) – Durante o quarto dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, manifestantes realizaram um protesto próximo à praça de alimentação da Blue Zone, área onde estão concentrados os pavilhões oficiais e delegações internacionais. A mobilização buscou chamar atenção para as contradições entre as crises climática e alimentar e defender uma transformação no modelo global de produção de alimentos.

Os ativistas destacaram que os sistemas agroalimentares sustentam economias, culturas e ecossistemas em todo o mundo, empregando diretamente cerca de 30% da população global — em sua maioria, mulheres agricultoras da Ásia e da África. No entanto, o setor agrícola industrial, dominado por grandes corporações, depende fortemente de combustíveis fósseis e é responsável por cerca de um terço das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

Lucas Contente (DOL)
Lucas Contente (DOL)

O grupo alertou que esse modelo não apenas contribui para o agravamento da crise climática, mas também é um dos setores mais vulneráveis aos seus efeitos, afetando especialmente mulheres, crianças, povos indígenas e pequenos produtores rurais.

Protesto pede mudança estrutural no sistema alimentar

Enquanto líderes globais participavam das negociações oficiais da conferência, os movimentos do Sul Global reivindicaram mudanças profundas nos sistemas de alimentação e agricultura. As demandas incluem a reformulação da estrutura financeira do setor, o incentivo à agroecologia e a transição para métodos de produção de alimentos com baixa emissão de carbono.

A ação foi organizada por integrantes da Global Campaign to Demand Climate Justice, com participação de entidades como a Asian Peoples’ Movement on Debt and Development (APMDD), World Animal Protection, Global Forest Coalition (GFC), Artivist Network, entre outras.

Críticas à influência corporativa

Durante o ato, representantes das organizações criticaram a presença de grandes empresas do agronegócio nas negociações climáticas.
“Elas impulsionam o desmatamento, o sofrimento animal e as emissões, mas ocupam um lugar privilegiado na COP30”, afirmou Elodie Guillon, da World Animal Protection. “Liderança climática significa apoiar comunidades, animais e o meio ambiente, e não as corporações que causam esses danos.”

A gerente de clima da World Animal Protection Brasil, Camila Nakaharada, afirmou que “a captura corporativa dos sistemas alimentares do Brasil está abastecendo o caos climático”. Segundo ela, o sistema alimentar brasileiro responde por 71% das emissões nacionais de gases de efeito estufa, impulsionado pela pecuária industrial e pelo uso intensivo de agrotóxicos.

Outros representantes também defenderam a soberania alimentar e o fortalecimento da agricultura familiar e indígena como caminhos para uma transição justa e sustentável. “O acesso à terra, à água e à comida é um direito humano fundamental e não deve ser controlado por grandes corporações”, declarou Melody Gold Barry-Yobo, do movimento Ogoni Farmer Agroecology, da Nigéria.

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