Lucas Quirino/DOL – Belém se tornou nesta quinta-feira (13) o ponto de convergência de uma agenda que vem se consolidando desde Glasgow, no Reino Unido, em 2021. Com o lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, líderes globais reforçaram que proteger a saúde humana é também proteger o planeta. A iniciativa, apresentada durante a COP30, simboliza a continuidade de um compromisso firmado nas últimas quatro Conferências do Clima da ONU — da COP26 à COP29 —, marcando um novo capítulo na integração entre políticas de saúde pública e ação climática.
A representante especial do Reino Unido para o clima e da COP26, Rachel Kyte, destacou o papel pioneiro do Brasil ao colocar a saúde no centro da ação climática. “Sem pessoas saudáveis, não teremos produtividade, criatividade nem inovação para frear e reverter os impactos das mudanças climáticas”, afirmou. Segundo ela, a COP de Belém precisa manter viva a ambição que nasceu em Glasgow, quando o mundo reconheceu que a resposta à crise climática depende de sistemas de saúde resilientes. Kyte enfatizou ainda que limitar o aquecimento global a 1,5°C é essencial para evitar consequências devastadoras às futuras gerações.
Na COP27, realizada no Egito, o então ministro da Saúde e População, Khaled Abdel Ghaffar, reforçou o apelo por políticas inclusivas e equitativas que respeitem as particularidades culturais de cada país, mas que não deixem ninguém para trás. “É imperativo garantir o bem-estar de todos os indivíduos, independentemente de sua origem ou identidade”, declarou. O egípcio alertou para a urgência de sistemas de saúde mais fortes e equitativos, capazes de responder aos impactos climáticos crescentes.
Já nos Emirados Árabes Unidos, sede da COP28, o subsecretário de Saúde Pública e Prevenção, Hussain Al Rand, celebrou o avanço histórico ao dedicar, pela primeira vez, um dia inteiro da conferência ao tema da saúde. “Foi um passo decisivo para colocar a saúde no coração da agenda climática global”, disse. Al Rand ressaltou que o país já iniciou a implementação de um plano nacional de proteção à saúde frente à mudança do clima, e convidou o Azerbaijão a dar continuidade a essa agenda em 2024. “Belém e Baku devem se tornar marcos da construção coletiva de saúde, equidade e justiça climática”, concluiu.
Na COP29, em Baku, a vice-ministra da Ecologia e Recursos Naturais do Azerbaijão, Umayra Taghiyeva, apontou o fortalecimento da cooperação internacional como prioridade. “Nossos sistemas de saúde devem estar prontos não apenas para responder, mas para se adaptar e agir diante das crises climáticas”, afirmou. Taghiyeva destacou o papel da Coalizão de Continuidade em Clima e Saúde, criada para assegurar que os compromissos firmados nas COPs se traduzam em políticas e ações concretas.
Agora, com o Plano de Ação em Saúde de Belém, o ciclo iniciado em Glasgow se materializa em um roteiro global de implementação. O documento estabelece metas de cooperação internacional, fortalecimento de sistemas de saúde e ampliação de investimentos em prevenção, vigilância e adaptação climática.
O lançamento do plano, durante a COP30, simboliza a maturidade da agenda climática global: o reconhecimento de que não há futuro sustentável sem saúde pública forte e integrada às políticas ambientais. De Glasgow a Belém, o mundo percorreu um caminho de crescente convergência — e, mais do que nunca, a ciência, a diplomacia e a solidariedade se unem para garantir que o planeta e suas populações possam respirar um mesmo ar de esperança.
O post De Glasgow a Belém: o caminho global até o Plano de Ação em Saúde na COP30 apareceu primeiro em RBA NA COP.


